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A maior tragédia do Brasil: a morte sem assistência espiritual



Dentre as tantas medidas autoritárias adotadas há quase um ano pelo governador João Doria (PSDB) durante a pandemia do vírus chinês, está o recente veto do Projeto de Lei 299/2020 que reconhecia a atividade religiosa como essencial para a população do Estado de São Paulo em tempos de crises como a pandemia.

Com a decisão de Doria deixa sem assistência espiritual a população que já sofre com as medidas que privam sua liberdade. Mas em meio à pandemia, não são apenas as missas e demais cultos religiosos são afetados. No caso da Igreja Católica, até mesmo a administração de sacramentos ficou comprometida.

É comum que sacerdotes católicos visitem os enfermos e ministrem o sacramento da Unção dos Enfermos, livrando a alma da condenação eterna em caso de pecado mortal. Além disso, esse sacramento, conforme ensina a tradição católica, também pode auxiliar na recuperação de pacientes que se encontram sem esperanças na visão médica.

Um sacerdote no interior de São Paulo, em um desabafo publicado em suas redes sociais, narrou um episódio vivenciado por ele mesmo neste sentido. O padre Marcelo Henrique Gonzalez Dias, que atua no interior de São Paulo, foi impedido por um hospital de fazer uma visita religiosa, algo que descreveu como “tragédia dentro da tragédia’.

O lamento do padre vem a calhar na semana em que João Doria determina — como um deus supremo que tudo sabe sobre o bem-estar humano — que religião não é uma atividade essencial num país de maioria cristã.

Para o padre, um dos grandes dramas da situação que atualmente vivemos é a falta de assistência espiritual aos doentes que estão nos hospitais. Veja um trecho do que o sacerdote escreveu. (Íntegra ao final)

“Isso está afetando a TODOS os INTERNADOS, não apenas os pacientes de covid-19. À parte honrosas exceções, NADA DE CONFISSÃO, de UNÇÃO dos enfermos, de COMUNHÃO! NADA! Isso não é importante! O médico entra, a enfermeira entra, os zeladores entram (com os cuidados devidos), mas O PADRE NÃO ENTRA. ESTE NÃO É ESSENCIAL, PODE ESPERAR. Se a pessoa sobreviver, bem. Se não sobreviver, paciência! Os cuidados médicos foram prestados”, escreveu.

O depoimento do padre Marcelo foi lido durante o programa Boletim da Manhã desta sexta. Assista.

O padre também analisou que impedir a visita religiosa fere o artigo V da Constituição Brasileira que diz que é assegurada a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva.

A legislação ainda determina que “ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei”.

“Contudo”, acrescenta o padre, “todas as garantias constitucionais estão indo por água abaixo. Alguns estão indiferentes a isso”. Ainda de acordo com o padre, a dimensão espiritual do ser humano está sendo desprezada. “É como se não tivéssemos uma alma espiritual e imortal. É como se não existisse pecado. É COMO SE NÃO EXISTISSE CÉU OU INFERNO. É COMO SE NÃO EXISTISSE DEUS!!!”.

Ele finaliza com um questionamento:

“A PERGUNTA a ser feita é a seguinte: dos 250 mil mortos por covid, QUANTOS MORRERAM NA GRAÇA DE DEUS? DOS QUE NÃO MORRERAM NA GRAÇA, QUANTOS PODERIAM TER SE SALVADO SE TIVESSEM A AJUDA DOS SACRAMENTOS???”, desabafou o padre que atua nas paróquias de Nova Guataporanga e São João do Pau D’alho, pequenas cidades do interior paulista”.

Para o jornalista Max Cardoso, a fala do padre Marcelo deveria viralizar e percorrer o Brasil inteiro, para que seja inspiração a outros padres e para que tenham a mesma coragem que este teve.

“Esse aqui é um padre de verdade, é alguém que está preocupado com a salvação das almas, é alguém que está disposto a tudo para salvar uma alma, e isso é ser um sacerdote”, comentou.

Ainda conforme o jornalista, nós [os brasileiros] estamos aceitando que o governo trate a religião como algo sem importância.

“O ser humano não é apenas corpo. Na filosofia, que nem é ainda o âmbito teológico, o ser humano é considerado como uma união substancial entre corpo e alma. Portanto, se você tem que alimentar o seu corpo para mantê-lo saudável, você também tem que alimentar a sua alma para mantê-la saudável”, disse Max. “Agora seria o momento mais importante para as pessoas poderem praticar a sua religião, para ter um conforto, aumentar a sua união e intimidade com Deus e conseguir perceber a presença divina, ter esperança no futuro”, acrescentou.

Leia à integra do desabafo do padre Marcelo

A TRAGÉDIA DENTRO DA TRAGÉDIA

 

A pessoa de um hospital me diz por telefone: “Não é possível fazer visita religiosa, tudo bem?” Eu disse: “Para o paciente isso é TUDO MAL, não tudo bem.”

Um dos grandes dramas da situação que atualmente vivemos é a FALTA DE ASSISTÊNCIA ESPIRITUAL para todos os DOENTES que estão nos HOSPITAIS. Isso está afetando a TODOS os INTERNADOS, não apenas os pacientes de covid-19.

À parte honrosas exceções, NADA DE CONFISSÃO, de UNÇÃO dos enfermos, de COMUNHÃO! NADA! Isso não é importante!

O médico entra, a enfermeira entra, os zeladores entram (com os cuidados devidos), mas O PADRE NÃO ENTRA. ESTE NÃO É ESSENCIAL, PODE ESPERAR. Se a pessoa sobreviver, bem. Se não sobreviver, paciência! Os cuidados médicos foram prestados.

Não vamos nem considerar que isso FERE O ARTIGO V DA nossa CONSTITUIÇÃO. Contudo, atualmente todas as garantias constitucionais estão indo por água abaixo. Alguns estão indiferentes a isso. Outros estão adorando!

O FATO PRINCIPAL É O SEGUINTE: A DIMENSÃO ESPIRITUAL DO SER HUMANO É DESPREZADA!! É como se não tivéssemos uma alma espiritual e imortal. É como se não existisse pecado. É COMO SE NÃO EXISTISSE CÉU OU INFERNO. É COMO SE NÃO EXISTISSE DEUS!!!

É verdade que Deus pode conceder a graça da contrição perfeita a uma pessoa em agonia, que dará a ela o perdão dos seus pecados e a salvação eterna. MAS OS SACRAMENTOS SÃO OS CAMINHOS NORMAIS E CERTEIROS PARA RECEBERMOS A GRAÇA.

É verdade que um filho pode crescer e se desenvolver sem o carinho e a presença dos pais. Mas isso jamais vai servir para dizer que não precisamos dos pais. Isso é exceção. E A EXCEÇÃO CONFIRMA A REGRA.

A PERGUNTA a ser feita é a seguinte: dos 250 mil mortos por covid, QUANTOS MORRERAM NA GRAÇA DE DEUS? DOS QUE NÃO MORRERAM NA GRAÇA, QUANTOS PODERIAM TER SE SALVADO SE TIVESSEM A AJUDA DOS SACRAMENTOS???

Deus os abençoe e nos ajude a abrir os olhos para a verdade.

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