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Áudio e entrevista publicados por ‘VEJA’ confirmam versão de Fabio Wajngarten na CPI



O relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL), ameaçou nesta quarta-feira (12) determinar a prisão do ex-secretário de Comunicação do Governo Federal, Fabio Wajngarten.

Tudo começou quando Renan Calheiros alegou que, em entrevista à Revista Veja, Wajngarten acusou de “incompetência e ineficiência” o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

O publicitário negou que tenha acusado o general de “incompetência” e afirmou que o conteúdo publicado na revista confirmava o que estava dizendo. A resposta desagradou tanto ao relator quanto ao presidente do colegiado, senador Omar Aziz (PSD-AM).

Questionado sobre o mesmo assunto pela senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), o ex-Secom respondeu que jamais adjetivou, rotulou ou emitiu opinião, porque seu contato com o ex-ministro Pazuello “foi de bom dia, boa tarde, boa noite”.

Fábio Wajngarten explicou que sua afirmação se referia à burocracia do governo e à equipe que gerenciava o governo, como consta na entrevista disponível na Veja.

Senadora Eliziane Gama: Senhor Fábio, eu queria que o senhor nos respondesse de forma clara acerca da sua entrevista para a Revista Veja. O senhor confirma que o senhor não passou a informação para a Revista Veja acerca da incompetência do ministro Pazuello?

Wajngarten: Jamais. Jamais adjetivei, rotulei, emiti opinião. Até porque o meu contato com o ex-ministro Pazuello, conforme dito, foi de bom dia, boa tarde, boa noite.

O que Fabio Wajngarten disse?

Após a repercussão, a Revista Veja divulgou o áudio da entrevista. Wajngarten foi capa do tabloide em 22 de abril. A manchete da reportagem dizia: Fabio Wajngarten: “Houve incompetência e ineficiência”.

No entanto, no áudio publicado pela revista, Wajngarten fala em “incompetência”, não em “ineficiência”, e não menciona nomes. Os senadores, no entanto, exigiam que o ex-secretário afirmasse que chamou Eduardo Pazuello de incompetente.

A pergunta da revista que deu origem aos questionamentos foi a seguinte:

Veja — Volto a insistir: se o presidente autorizou, seus principais auxiliares concordaram e o acordo não aconteceu, o que explica isso?

Fabio Wajngarten — Incompetência e ineficiência. Quando você tem um laboratório americano com cinco escritórios de advocacia apoiando uma negociação que envolve cifras milionárias e do outro lado um time pequeno, tímido, sem experiência, é isso que acontece.

Entretanto, o áudio divulgado posteriormente mostra que Wajngarten utilizou outras palavras para responder à pergunta:

“Incompetência, incompetência. Quando você tem um laboratório americano com cinco escritórios de advocacia apoiando uma negociação e você tem do outro lado um time pequeno, tímido, sem experiência, é 7 a 1”. Ouça aqui.

Seguindo a entrevista, VEJA  pergunta de maneira mais direta: O senhor está se referindo ao ex-mi­nistro Eduardo Pazuello?  Fabio Wajngarten responde: Estou me referindo à equipe que gerenciava o Ministério da Saúde nesse período. 

A entrevista publicada na VEJA e o áudio confirmam a versão de Fabio Wajngarten na CPI, de que não teria chamado Pazuello de incompetente. Ainda na CPI, o publicitário disse que a manchete de capa da VEJA teria sido um truque para chamar atenção.

“A manchete serve para vender a tiragem, a manchete serve para trazer audiência, a manchete serve para chamar a atenção, conforme a gente conhece”, afirmou.

O assunto foi tema de comentários durante o Boletim da Manhã desta quinta-feira (13). Para o analista político e fundador do Terça Livre, Italo Lorenzon, Renan Calheiros desistiu de seguir com o pedido de prisão, porque sabia que precisaria provar que Wajngarten teria mentido.

“De fato, Wajngarten falou, e falou da equipe, e vejam, ele nem falou da índole, ele não eradjetivou, disse apenas que era um monstrengo ter cinco escritórios de advocacia de um lado e uma equipe pequena do outro, inexperiente. É óbvio que não haveria essa eficiência toda”, comentou Lorenzon.

“Mas vejam que jogadinha do Renan Calheiros, ele sabe muito bem que como Relator da CPI ele tem autoridade de dar voz de prisão ali mesmo. Claramente, ele teria que arcar com as consequências de fazer isso depois, se o fizesse de maneira leviana. Mas ali, registrada estava a fala. Ele poderia dizer ‘está aqui, você mentiu, tenho como provar que você mentiu e peço a sua prisão aqui e agora’. E porque ele não fez? Ele sabia que estaria criando um caso ali”, acrescentou.

Ainda de acordo com Italo Lorenzon, Omar Aziz percebeu a jogada de Calheiros. “Ele percebeu a jogadinha e falou ‘não sou carcereiro de ninguém’. Senão, era o Omar Aziz que ficaria como o autor da voz de prisão e seria ele a responder, na hora que fosse configurada a inocência do Wajngarten, que ele não mentiu na CPI, e então pronto, quem responderia seria o Omar Aziz”.

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