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‘Banco do PCC’ é suspeito de lavar dinheiro desviado do combate à covid no RJ



Em operação deflagrada na última segunda-feira (3) a Polícia Federal investiga se o “Banco do Crime” do Primeiro Comando da Capital (PCC) movimentou recursos desviados de hospitais de campanha no Rio de Janeiro durante gestão do governador cassado Wilson Witzel (PSC).

O “Banco do Crime” é um esquema de lavagem de dinheiro usado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) para movimentar dinheiro do tráfico. De acordo com a Operação Tempestade, o esquema teria movimentado o valor de R$ 700 milhões.

Os investigadores da PF revelaram que um dos esquemas de lavagem de dinheiro usado pelo PCC usava pelo menos duas empresas como bancos: o “Banco Neman” e a Bidu Cobranças, Investimentos, Transportes e Participações.

Os investigados teriam criado uma estrutura própria para o “branqueamento de capitais por meio do uso de empresas fictícias e de laranjas conscientes” e emitiam notas fiscais frias para justificar a prestação de serviços inexistentes.

O líder do esquema criminoso seria o empresário Dalton Baptista Neman  e a ação contaria também com participação de Wilson Decaria Júnior. Os dois foram identificados pela PF em 2016 na Operação Laços de Família, que apurou o envolvimento do ex-presidente do Paraguai, Horácio Cartes, com o contrabando de cigarros para o Brasil.

Segundo a PF, Neman manteria contato com outras divisões da organização criminosa, como, por exemplo, o “Núcleo Canadense”. Foi então que surgiram as suspeitas de ligações entre o Banco do Crime e os desvios dos recursos para o combate à Covid-19.

A peça que uniria os esquemas seria o advogado e lobista Roberto Bertholdo, um dos principais líderes do Iabas (Instituto de Atenção Básica e Avançada da Saúde), que foi contratado pelo governo do Rio para construir os hospitais de campanha.

Como noticiou o Terça Livre, Wilson Witzel investiu R$ 835 milhões para montagem de estruturas dos hospitais de campanha do Iabas. O instituto também administrava o hospital de campanha do Anhembi, em São Paulo.

A entidade é investigada por irregularidades em outros contratos de administração de hospitais em São Paulo, tanto pelo Tribunal de Contas do Município quanto pela Controladoria da Prefeitura de SP.

Já o advogado Roberto Bertholdo é investigado por possível envolvimento em desvio de recursos de hospitais de campanha no Rio. A PF chegou a pedir à Justiça a prisão temporária de Bertholdo, mas foi negada pela 6ª Vara da Justiça Federal de São Paulo.

Conforme o relatório da PF, Bertholdo “ficou conhecido como o homem que grampeou Sérgio Moro”. Os policiais destacaram que o advogado tem contatos políticos no MDB e no PP.

Durante as investigações, foram encontrados R$ 700 mil transferidos da conta do escritório de Bertholdo para a empresa Bidu Importação e Exportação Eirelli, que pertence aos Nemans.

Em 3 de fevereiro de 2020 os policiais federais flagraram um intermediário recebendo dinheiro dos Nemans em um hangar do aeroporto de Jacarepaguá, no Rio.

Em uma conta bancária ligada a Bertholdo, a polícia afirma ter encontrado nove depósitos feitos pelo Iabas, no valor de R$ 6,5 milhões, e quatro outros feitos por Bertholdo à Bidu, no valor de R$ 2,4 milhões.

Ao todo, Roberto Bertholdo teria movimentado R$ 77 milhões por meio de uma empresa. Já os Nemans teriam movimentado cerca de R$ 220 milhões.

“Há indícios fortíssimos que levam à possibilidade de que os valores transportados pelos Nemans, fisicamente, possam ter como destino o pagamento de propina a membros do governo daquele Estado (Rio)”, aponta o relatório.

Ainda de acordo com os delegados da PF, os “clientes dos Nemans” já foram investigados na Operação Prato Feito (um ex-prefeito), que apurou o desvio de merenda escolar em São Paulo, e na Operação Zelotes, sobre fraudes no Conselho de Administração de Recursos Fiscais (Carf).

Com informações Estadão

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