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Boa tentativa, left-checkers!



Os “checadores de fatos” ou left-checkers,  quiseram acusar o Terça Livre de fake news sem citar ao menos uma frase da matéria “Presidente exilado da Suprema Corte da Venezuela alerta sobre Smartmatic”, utilizada como base para as acusações.

Depois que o Terça Livre entrevistou Miguel Ángel Martin, presidente exilado da Suprema Corte da Venezuela, o projeto “Comprova”, formado por Gaúcha Zero Hora, Estadão, UOL, O Povo e afins, verificou que “Smartmatic, que forneceu urnas para a Venezuela, nunca vendeu aparelhos para o Brasil” e passou a acusar o TL de divulgar notícias falsas.

Primeiro note que: Em nenhum momento da matéria do Terça Livre afirma-se que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) comprou urnas da Smartmatic.

Tanto que o próprio “conteúdo verificado” pelos left-checkers, aponta que “o post [do Terça Livre] SUGERE que eleições no Brasil podem ser fraudadas por empresa que, no passado, forneceu urnas para a Venezuela”.

Vamos por pontos

O Terça Livre disse que a Smartmatic FORNECEU TECNOLOGIA das urnas eletrônicas para a Venezuela, Brasil e outros países. Afirmação, que vejam só, é reafirmada ao Comprova pela própria empresa:

“Em e-mail enviado ao Comprova, a Smartmatic informou que atuou nas eleições brasileiras de 2012, 2014 e 2016, fornecendo conexão de dados e voz em estados isolados do Brasil”.

Mas nas eleições de 2012, o processo de licitação 42/2012 que deu origem ao contrato 80/2012, firmado entre o TSE e o consórcio ESF, do qual integrava a Smartmatic, tinha como objeto a contratação de “serviços de exercitação das urnas eletrônicas”, incluindo a recepção de mídias e transmissão de boletins de urna, via sistema de apuração do TSE.

De acordo com o próprio TSE, “entre as tarefas previstas no contrato está a realização dos serviços de carga das baterias internas e de reserva das urnas; realização de testes dos componentes eletrônicos de todas as urnas; limpeza, retirada de lacres, testes funcionais, triagem para manutenção corretiva e preparo para armazenamento das urnas eletrônicas; inserção de dados; procedimento de atualização de software e certificação digital nas urnas; preparação, instalação, carga de software de eleição. O consórcio ESF será ainda responsável pela recepção de mídias e transmissão de boletins de urna, via sistema de apuração do TSE”.

É razoável questionar: Por que uma empresa estrangeira deveria atualizar um software que não é dela? Ao participar de todos estes procedimentos, a empresa não pode ter tido algum tipo de contato com os resultados das votações?

O Brasil possui várias empresas estatais de tecnologia. Dada a sensibilidade das informações, não seria melhor que o próprio sistema eleitoral, já que existe, providenciar o que é necessário para a lisura do pleito?

Tentando descredibilizar o Terça Livre fingindo ter solucionado a questão, o Comprova não responde aos questionamentos levantados, nem mesmo quando cita respostas do Tribunal Eleitoral.

Como já noticiado pela Revista Terça Livre, há três anos a Smartmatic, presidida por Mark Malloch-Brown, membro da Câmara dos Lordes britânica e do Conselho Global das Open Society Foundations, fundadas por Soros, foi pivô de um escândalo nas eleições do país de Nicolás Maduro, onde nasceu a empresa.

Na ocasião, o diretor-executivo da empresa, o venezuelano Antonio Mugica, rompeu com o regime ditatorial e denunciou que as autoridades haviam aumentado a taxa de comparecimento na eleição da Assembleia Nacional Constituinte.

Agora em 2020, a empresa tem sua credibilidade questionada nos Estados Unidos pela advogada da equipe do presidente Donald Trump, Sidney Powell.

Em entrevistas à Fox News no domingo (15), Powell afirmou que os resultados das eleições em vários estados estão prestes a serem revogados. Ela também disse ter uma quantidade esmagadora de provas sobre fraude e irregularidades eleitorais.

“Pior do que isso, as evidências vão mostrar que #Dominion e #Smartmatic foram criados com o propósito maligno preciso de manipular eleições para governantes corruptos. E as empresas são estrangeiras, criadas com dinheiro comunista”, afirmou a advogada em seu Twitter.

O Terça Livre também mostrou no artigo “O Programa Que Domina o Mundo” do jornalista Bruno Rodrigues, como em 2009 a Dominion assinou contrato com a Smartmatic para fornecer scanners ópticos usados nas eleições de 2010 nas Filipinas e três anos depois de iniciada a parceria, a Smartmatic chegou a processar a Dominion por “violação de um contrato de licenciamento e interferência delituosa com os negócios da Smartmatic”.

Fundada onde?

De que forma o Terça Livre afirma que a Smartmatic foi fundada na Venezuela e não nos Estados Unidos, como sugere o Comprova? Com  os dados do portal oficial de informações empresariais do governo da Venezuela. 

Mas se o leitor procurar por Smartmatic, nada encontrará. Por algum motivo pertinente ao governo venezuelano, essas informações já não constam mais no site. Alguém, no entanto, arquivou os resultados da pesquisa que mostra Smartmatic com a seguinte razão social: “TECNOLOGÍA SMARTMATIC DE VENEZUELA, C.A”.  Veja você no link abaixo:

https://web.archive.org/web/20160410041239/https://rncenlinea.snc.gob.ve/reportes/resultado_busqueda?nombre=smartmatic&p=1&search=NOMB 

Note nas imagens acima que as outras razões sociais que aparecem nessa lista aparentemente são da mesma empresa, que passou por transformações, tendo sido estatizada e depois privatizada.

Segundo o site de análise financeira Dun & Bradstreet, a razão social Tecnologia Smartmatic de Venezuela C.A. é a mesma empresa que prestou serviço nas eleições brasileiras. Foi fundada em 1997 em Caracas.

Sobre Miguel Fuentes

Durante o programa Boletim da Manhã desta terça-feira, 17, o jornalista Allan dos Santos comentou sobre a tentativa de desmerecer o trabalho jornalístico do Terça Livre.

Ele citou trecho do livro “Manual de Jornalismo” de Anabella Gradim:

“As notícias não são espelhos rígidos e fiéis dos fenômenos, mas construções metonímicas que se desenvolvem segundo formas de produção ritualizadas e passam por patamares diversos de seleção: das secretarias aos editores e chefias, passando pelos olhos, preconceitos, crenças e formação cultural dos jornalistas, para, no limite, produto pronto, terem de competir em visibilidade com todas as outras notícias do dia, submetendo-se ao espaço limitado do jornal, onde um anúncio de última hora pode significar peça no cesto dos papéis…”

Allan conclui que é impossível retirar a realidade da existência do jornalista para fazer uma matéria.

“É sempre uma construção humana, de uma perspectiva humana, de um ser humano que tem crenças, cultura específica, que tem uma formação filosófica específica ou não. Sempre passa pelo ser humano. O texto ainda mostra a impossibilidade de você colocar como fake news a possibilidade de o jornalista estar errado, se ele estiver errado”, disse.

“A Rádio Gaúcha disse que o Terça Livre entrevistou ‘um tal de Miguel Fuentes’, que seria um presidente da Suprema Corte exilado, que não é oficial, porque o presidente quem é? Maduro. Esse é o argumento da Rádio Gaúcha. Aí depois foram ver a conta dele (a segunda, pois a primeira foi bloqueada pelo Twitter) e viram que ele está representando a Venezuela enquanto presidente da Suprema Corte da Venezuela”, afirma Allan.

A Rádio Gaúcha diz, até o fim da matéria que acusa o Terça Livre de fake news, que não sabia se Miguel Fuentes era ele mesmo, pois “só tinha 8 mil seguidores no Twitter”.

“Temos uma entrevista com o Miguel Fuentes que fizemos na época da Cúpula das Américas, que aconteceu em Foz do Iguaçu, em que ele conta (e eu não consigo segurar as lágrimas) como ele saiu da Venezuela. Ele teve que fugir de madrugada. Outros amigos que trabalhavam com ele na Suprema Corte do país foram mortos. Esse jornal é criminoso, canalha!”, argumentou Allan.

“Quem escreve uma matéria como essa não tem coração. Aqui não se trata mais de direita, esquerda, ou seja lá o que for, essa pessoa não tem coração! Ele está falando de alguém que teve que fugir na calada da noite na Venezuela para poder se exilar nos EUA porque os outros amigos dele foram mortos! Já não é mais preso, é morto!”, concluiu.

Sobre o Colunista

Bruna de Pieri

Bruna de Pieri

Esposa, jornalista, tupãense e católica. 23 anos.

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