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CGU identifica desvios de verbas destinadas ao enfrentamento da Covid-19 em estados e municípios



O ministro da Controladoria-Geral da União, Wagner Rosário, declarou que o órgão descobriu uma série de desvios de verbas destinadas ao enfrentamento do coronavírus em estados e municípios. A afirmação foi feita ontem (24), em entrevista ao programa Direto ao Ponto, da Jovem Pan.

“Em uma reunião selecionamos 278 ‘entes federados’ que seriam acompanhados: capitais, seis ministérios, todos os estados, municípios acima de 500 mil habitantes e etc. A partir daí colocamos uma equipe em cada Estado acompanhando todas as compras feitas pela Covid-19 e em alguns locais tinham uma transparência melhor, outros nem tanto. Então montamos um grupo que registrava tudo o que saia e comparamos preços. Fizemos esse levantamento que resultou em 53 operações que fizemos junto com a polícia”, contou o ministro da CGU à Jovem Pan.

Segundo o ministro, ainda não é possível confirmar o total de recursos desviados, mas o valor preliminar é de R$160 milhões de reais. Essa quantia deve ser atualizada de acordo com o andamento das investigações. Para o chefe da CGU, é preciso que a CPI da Covid-19, no Senado, amplie o escopo com a finalidade de alcançar prefeitos e governadores. “Sabemos que o SUS tem uma organização tripartite, então toda essa pandemia tem que ser tocada dentro dessas competências. Me parece que o foco da CPI tem sido muito a gestão federal, mas nós sabemos que não é simples, envolve muita gente. Nós identificamos muitos casos de corrupção em estados e municípios, então a população quer que olhe os problemas no total”, afirmou o chefe da CGU.

O assunto foi tema de debates no Boletim da Manhã de hoje (25). O analista político Ítalo Lorenzon questionou a atuação dos gestores locais diante da pandemia. Para ele, muitos prefeitos e governadores estão incentivando o medo entre a população para justificar o uso de verbas. “Você cria o medo, aí você consegue justificar o estado de emergência. Com o estado de emergência, você consegue fazer compras sem licitação, e com compra sem licitação, você consegue desviar o dinheiro” disse.

O analista foi além e disse que o incentivo ao medo está na base de boa parte dos mortos contaminados com a Covid e faz parte de um projeto liderado por gestores locais. “Quatro dias depois da pandemia da Covid ser decretada, sabe qual foi a manchete do Globo? – Medo por Covid aumenta o estresse e abaixa a imunidade. Você não vê mais isso. […] Um estudo americano entrevistou as pessoas quanto à percepção sobre a mortalidade da Covid. A maioria dos democratas acreditava que se você pegasse Covid, a chance de você ser hospitalizado era de 50%. Entre os republicanos, esse número descia para 30%. Mas o número real é de 1% à 5%, dependendo da faixa etária” afirmou. “O medo em si mata. Se você está tratando uma doença que ataca o sistema imunológico e a sua ação pública tem por efeito, intencional ou não, diminuir a resposta imunológica das pessoas, é obvio que a sua ação causa mortes, mesmo que diminua contágio” completou, Ítalo.

O “Estudo de Economia de Recuperação de Franklin Templeton-Gallup”, citado pelo analista político, foi desenvolvido usando dados mensais de 35.000 adultos americanos. Os pesquisadores documentaram variação significativa na compreensão de fatos relacionados ao COVID e comportamentos concomitantes.

 

 

 

 

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