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Com novo Fundo de Investimentos 100% em Cannabis, mercado aquece com a droga sem considerar os riscos



A empresa de investimentos no mercado financeiro Vitreo anunciou um novo Fundo de Investimentos 100% em Cannabis – também conhecido como maconha. O Fundo inédito terá seu lançamento oficial por meio de um documentário gratuito, que irá ao ar entre os dias 19 e 24 de maio.

A Vitreo informou ainda que o novo Fundo, além de ser 100% investido em empresas ligadas à Cannabis, terá um baixíssimo valor de aporte mínimo, tornando-o acessível a qualquer investidor.

Durante o documentário, a Vitreo  irá revelar o real valor do aporte mínimo, mas o CEO da empresa, Jojo Wachsmann, garante: “é muito menos do que você imagina. A intenção é alcançar o máximo de pessoas, então o valor mínimo não pode ser um obstáculo.”

Elaborado pelos mesmo criadores do Fundo Canabidiol, o novo fundo será o único do país com gestão ativa disponível para o varejo. Um fundo de gestão ativa é aquele em que o gestor, cuja meta é obter rentabilidade superior ao índice de referência do mercado, tem liberdade para fazer a seleção dos ativos que vão compor a carteira de determinado fundo de investimento.

Com uma grande oscilação na carteira, esse tipo de fundo é voltado principalmente para investidores que estejam dispostos a tomar mais riscos no mercado de ações.

Muitos investidores olham para o novo cenário de investimentos como sendo promissor, uma vez que, nos Estados Unidos (mercado mais forte da droga), dezenas de parlamentares anunciaram que irão levar ao Senado o SAFE Banking Act, um projeto de lei que prevê o uso livre de todos os serviços financeiros e bancários dos EUA pelas empresas da indústria da Cannabis.

A aprovação desta lei pode mudar completamente o cenário para as empresas, consumidores e investidores, movimentando um fluxo de dinheiro exponencialmente maior ao setor. Segundo a Vitreo, esse seria o melhor momento para começar a investir nesse mercado. Por isso, a abertura do fundo.

A legalização e incentivos – inclusive financeiros – pelo uso da Cannabis, contudo, aparentemente não são tratados com a devida seriedade. Alguns países que viabilizaram o uso da droga acabaram se arrependendo de tê-lo feito, como é o caso da Holanda.

A Holanda é reconhecidamente um dos países mais liberais do mundo e está comprovado que o comércio da Cannabis movimentou consideravelmente a economia do país, trazendo até 2,5 bilhões de euros para a economia nacional. 

A situação de um país, entretanto, não deveria se resumir exclusivamente a lucros econômicos, tanto é que as autoridades e a população da Holanda repensam seriamente seu posicionamento com relação à droga.

Segundo o jornalista Thomas Favaro, em uma reportagem de 2008, intitulada “Mudanças na vitrine”, alguns problemas foram ocasionados, como o incentivo ao narcotráfico, devido ao livre comércio da droga. Como resultado, entre 2002 e 2006, as prisões por posse ou comércio de drogas ilegais cresceram 21% na Holanda. Além disso, de acordo com The Washington Post, “a ausência de meios legais para que os coffee shops obtenham Cannabis tem sublinhado a sua associação com o crime organizado.”

“A tolerância em relação à maconha, iniciada nos anos 70, criou dois paradoxos. O primeiro decorre do fato de que os bares podem vender até 5 gramas de maconha por consumidor, mas o plantio e a importação da droga continuam proibidos. Ou seja, foi um incentivo ao narcotráficoO objetivo da descriminalização da maconha era diminuir o consumo de drogas pesadas. […] O problema é que Amsterdã, com seus coffee shops, atrai ‘turistas da droga’ dispostos a consumir de tudo, não apenas maconha. Isso fez proliferar o narcotráfico nas ruas do bairro boêmio. O preço da cocaína, da heroína e do ecstasy na capital holandesa está entre os mais baixos da Europa”, disse o jornalista.

Atualmente, no Brasil, a militância de esquerda vem tentando – aparentemente a qualquer custo – regulamentar o uso da droga. No último dia 20 de abril, o deputado Luciano Ducci (PSB-PR), relator do projeto de lei que autoriza o comércio de derivados da cannabis para fins medicinais no Brasil (PL 399/15), propôs novas regras para o uso da droga no país.

Com as novas propostas, a ideia original do projeto passa a ser ampliada e prevê que a União poderá autorizar o plantio, a cultura e a colheita de qualquer variedade de Cannabis – planta também usada para produzir a maconha. Dessa forma, a droga não será autorizado apenas para fins medicinais, mas também para o uso em pesquisas científicas e na indústria, além de alterar a Lei Antidrogas.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), desde dezembro de 2019, já autoriza a comercialização de uma categoria de derivados de Cannabis no país. O primeiro produto foi autorizado em abril de 2020.

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Sobre o Colunista

Brehnno Galgane

Graduando em Filosofia pela PUC-Rio, Católico e cultivador de uma narrativa que tenha sentido segundo a forma humana.

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