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CPI da Covid: plano apresentado por Renan Calheiros não se aprofunda em governadores e prefeitos



O senador Renan Calheiros anunciou nesta quinta-feira (29), durante coletiva de imprensa no Congresso, o plano de trabalho da CPI da Covid. O documento traça um “roteiro de trabalho” a ser seguido pela Comissão.

Entre as “linhas gerais de investigação” elencadas no plano está o item “emprego de recursos federais”. O texto menciona apenas “critérios” de repasse de recursos federais para estados e municípios, sem citar investigações sobre o mau uso dos recursos.

Segundo Calheiros, o documento não tem o objetivo de delimitar a atuação da Comissão. Os requerimentos aprovados é que vão ditar os rumos das investigações.

“Este plano de trabalho não pretende apontar aonde chegaremos com a apuração. Ele é um ponto de partida, uma linha inicial de investigação, que, naturalmente, será incrementada e enriquecida pelos depoimentos, perícias, estudos e documentos oficiais que serão reunidos ao longo do trabalho dessa CPI”, afirma em um trecho do documento.

Entre outros tópicos presentes no plano de trabalho estão as ações de prevenção e atenção à saúde indígena e o colapso da saúde no estado do Amazonas.

Outro ponto do texto delimita investigação sobre assistência farmacêutica, enfatizando a “produção e distribuição de medicamentos sem eficácia comprovada (cloroquina) e definição de protocolo para adoção de “tratamento precoce”, inclusive com constrangimento para sua adoção.

O documento menciona ainda investigar a política externa do governo para enfrentamento da pandemia (atuação em âmbito internacional, viagem a Israel e diplomacia das vacinas).

Para a próxima terça-feira (4) já estão marcados os depoimentos dos ex-ministros de saúde do governo de Jair Bolsonaro. Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich serão os primeiros a serem ouvidos pela comissão.

O assunto foi tema de comentários no Boletim da Manhã de hoje (30). O analista político Italo Lorenzon afirmou que o senador Renan Calheiros tentará direcionar a CPI de forma que governadores e prefeitos não sejam afetados e a intenção original seja mantida.

“E qual é a intenção original? Carregar de narrativas ainda mais a imprensa para atacar e colocar na conta do Bolsonaro o ônus do que foi feito durante a pandemia. E por quê? Porque não deu certo. Se tivesse dado certo, estaríamos comemorando e batendo palma para os governadores neste momento. Mas não deu certo. E não deu certo por causa dessa falta de coordenação entre os governadores, que resolveram cada um fazer a ‘sua coisa'”, comenta. “Dizem que faltou coordenação do Governo Federal, mas em que momento governadores baixaram a bola e disseram ‘vamos ouvir o Governo Federal para saber qual é a coordenação deles’?”, acrescentou Lorenzon.

“Não houve coordenação [do Governo Federal] porque os governadores decidiram que não haveria. E decidiram isso com base em uma decisão tomada pelo STF. Não adianta dizer que o STF não tira do Governo Federal a responsabilidade, porque retira o poder de fato. Porque dá ao governador e ao prefeito a autonomia para determinar a sua própria política”, pontuou.

Assista à íntegra do comentário

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