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CPI: Teich nega interferência de Bolsonaro em gestão, mas expõe discordância sobre tratamento precoce

Jefferson Rudy/Agência Senado


O ex-ministro da Saúde do governo Bolsonaro, Nelson Teich, foi o segundo a depor à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia.

A declaração do médico durou cerca de 6 horas.

Na condição de testemunha, Teich comentou sobre sua saída do Ministério, seu posicionamento em relação à cloroquina e seu relacionamento com o general Eduardo Pazuello, que o  sucedeu no comando da pasta. 

Um dos principais pontos que evidenciou a discordância do ministro com o governo Bolsonaro foi quanto ao tratamento precoce para os pacientes com Covid-19.

Respondendo à várias e insistentes perguntas dos parlamentares de oposição, o ex-ministro negou a interferência do presidente Jair Bolsonaro em sua gestão. Em sua visão, a única possível interferência seria a pretensão de estender o uso da cloroquina. 

Nelson Teich negou, ainda, que a presença de Eduardo Pazuello no Ministério teria sido uma imposição do presidente Jair Bolsonaro. Para ele, o também ex-ministro da Saúde conseguiu desempenhar seu papel, auxiliando nas demandas relacionadas a logística.

Em relação às vacinas, o médico declarou que durante a sua gestão, tratativas sobre os imunizantes com foco nos estudos clínicos começaram a ser feitas. Os contratos e compras seriam feitos posteriormente, devido à oferta dos imunizantes à época.

Ao responder o senador Fabiano Contarato (Rede-ES), Nelson Teich disse que não defendia o “isolamento radical” e reforçou que discutiu com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) um programa único de controle de transmissão do vírus a partir de critérios em cada momento e local.

O ex-ministro ainda comentou sobre a redução das entrevistas coletivas durante sua gestão, explicando que existia um clima de politização e disputa e que a melhor estratégia para aquele cenário era conhecer e estudar a melhor maneira de realizá-las.

“Era um clima muito tenso. Então, eu via que as coisas que eu falava eram mais usadas do que ouvidas. Eu já tinha algumas coisas bem definidas na minha cabeça em relação ao que fazer (…) Inclusive, eu achava que aquelas coletivas deveriam ser até um pouco mais técnicas, no sentido de não só passar números, mas tentar passar alguma comunicação para a sociedade. Então, ali era um momento em que eu estava também estudando até a melhor forma de aquelas coletivas acontecerem”, argumentou.

Além do depoimento de Nelson Teich, a CPI da Pandemia aprovou nesta quarta-feira (5) a convocação do secretário-executivo de Saúde do estado do Amazonas, João Paulo Marques dos Santos, para colher informações sobre o uso de recursos pelo estado.

Na semana que vem estão previstas declaração de representantes da farmacêutica Pfizer e Sputnik, do Instituto Butantan e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), além de Fábio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação, e do ex-ministro Ernesto Araújo, ex-chanceler brasileiro.

Com informações: Agência Senado.

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