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ANBA/Agência Brasil

Crise na cadeia de abastecimento de combustíveis na Europa pode afetar preços em todo o mundo



 

Com o inverno a caminho, a Europa pode necessitar de mais quantidade de gás que não chegará à casa das pessoas e indústrias. Os estoques estão baixos historicamente e a política consagrada de eliminação de combustíveis fósseis na cadeia de produção dos europeus afetará a recuperação econômica pós-pandemia. Com a pressão decorrente, os preços já começaram a disparar e as empresas industriais correm o risco de colapsar.

O preço do Gás Natural Liquefeito (GNL) na Europa subiu quase 500% em relação ao ano passado e o valor atualmente negociado atinge recordes. Os altos custos afetarão também produtores agrícolas e preços dos fertilizantes, o que implicará riscos inflacionários.

Ao mesmo tempo, o aumento no valor da energia elétrica tem obrigado fornecedores do gênero alimentício a fecharem as portas e gerado instabilidade no abastecimento.

A restrição no uso de combustíveis fósseis na Europa para cumprir tratados, como o Acordo de Paris, gerou maior dependência de energias voláteis e dependentes do clima, como a produção eólica e solar, e promoveram o fechamento de usinas nucleares e movidas a carvão mineral.

As consequências de basear a produção quase exclusivamente em energias renováveis, com a alta demanda após a crise gerada pela pandemia, fizeram os preços dispararem e mostram o quão arriscado essa solução se tornou.

Na Ásia, o encarecimento poderá afetar a produção de cimento, vidro e fabricantes de cerâmica chinesa, que tendem a responder à crise aumentando os preços, além de fazer com que os preços do alumínio e do aço disparem, uma vez que os estoques de gás podem não dar conta da demanda, mesmo com o país importando mais do produto que no último ano. Economias que não podem pagar pelo combustível – como Paquistão ou Bangladesh – podem entrar em colapso e simplesmente parar.

“Temos uma enorme demanda de todos os nossos clientes e, infelizmente, não podemos atender a todos”, alertou Saad Al-Kaabi ministro da Energia do Catar.

A coluna de opinião da Revista Hill aponta que a crise que a Europa enfrentará está intimamente ligada às ideias ambientalistas de banimento dos combustíveis fósseis, que fizeram a dependência dos países por gás natural aumentar muito. Contudo, países fornecedores da matéria-prima podem diminuir o fluxo de envio do produto, dado o aumento de sua demanda interna.

“Parece que não importa quantos exemplos sejam apontados sobre os perigos da dependência excessiva de energias renováveis, os formuladores de políticas continuam avançando no mesmo caminho perigoso de banir completamente os combustíveis fósseis. O resultado não será emissões mais baixas no final do dia, quando o gás natural e o carvão são necessários para cobrir as deficiências do vento – mas pode muito bem haver aumentos nos preços da energia como a América nunca viu antes”, fecha o texto da coluna que alerta para o risco dos Estados Unidos seguirem o mesmo caminho da Europa na adoção de energias renováveis.

Sobre o Colunista

Italo Toni Bianchi

Ítalo Toni Bianchi, membro do Movimento Conservador, bacharel em teologia pelo Seminário Teológico Batista Nacional Enéas Tognini. Músico percussionista, leitor, preletor e jornalista do portal Terça Livre.

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