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Delação de Lavouras abre nova frente de investigações sobre esquema de corrupção no RJ



Após a delação premiada do ex-presidente da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio (Fetranspor) José Carlos Lavouras, uma nova fase de investigações sobre o esquema de corrupção no Rio de Janeiro foi aberta no último dia 10 de abril.

Com a homologação feita ainda em janeiro deste ano pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), foi possível descobrir um esquema dos empresários de ônibus do RJ, no qual usavam sobras do vale-transporte (dinheiro que pertence ao povo) para pagar propina a entidades.

O esquema chegou a movimentar R$ 5 milhões por mês da “caixinha” somente para afastar possíveis empecilhos de recebimento de verba. Os efeitos das intervenções, quase sempre em projetos de lei e liminares judiciais, acabavam sempre pesando no bolso dos passageiros.

Os empresários que colaboravam com a “caixinha” faziam parte de um conselho informal da Fetranspor, conhecido como o “conselhinho”, no qual era decidido quem era merecedor dos pagamentos mensais da “caixinha”.

Após a repartição, o dinheiro do suborno era distribuído nas garagens das empresas de ônibus do RJ por funcionários do doleiro Álvaro Novis, também delator da Lava-Jato, que se encarregava de fazer a distribuição a autoridades e a agentes públicos.

Em delação, Lavouras, que esteve à frente da Fetranspor por 28 anos, disse que a “caixinha da Fetranspor” visava a benefícios para o setor, como a redução do IPVA, repasse das gratuidades às empresas, aumento sistemático de tarifas, repressão às vans e a não realização de licitação para os ônibus intermunicipais.

O ex-presidente da Fetranspor, que possui dupla cidadania, mora em Portugal desde julho de 2017, quando o juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, decretou a sua prisão preventiva. Com isso, Lavouras teve todo o seu processo de delação premiada feita por videoconferência.

Em nota, a Fetranspor ressalta que, desde setembro de 2017, a instituição passa por um processo de reestruturação, além de passar a ser presidida por um profissional executivo, que não possui qualquer ligação com os escândalos de corrupção. E reafirma seu compromisso, com uma nova gestão, de priorizar a transparência, um maior controle interno e respeito às normas que regulam o setor.

Segundo o jornal o Globo, fontes com acesso a todo o conteúdo apontam que esse é o mais duradouro esquema de corrupção no Estado do Rio de Janeiro.

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