fbpx

Desestatização dos Correios divide opiniões em audiência na Câmara dos Deputados

© Arquivo/Agência Brasil


A Câmara dos Deputados tem discutido nos últimos dias a proposta do Poder Executivo que prevê o investimento da iniciativa privada nos serviços postais do Brasil.

Atualmente a prestação de serviços é realizada em regime de monopólio pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT).

O relator do texto em Plenário, deputado Gil Cutrim (Republicanos-MA), negou que o projeto trate de privatização dos Correios, durante uma audiência das comissões de Trabalho, Administração e Serviço Público, e de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados na quarta-feira (28).

“O texto não fala de privatização, mas de modernização, regulamentação do sistema postal brasileiro para torná-lo eficiente, sem interferência política e com segurança jurídica a quem presta bom serviço à população”, afirmou o parlamentar.

A reunião também ouviu representantes do Governo Federal e trabalhadores dos Correios sobre o Projeto de Lei 591/21.

O presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico, deputado Otto Alencar Filho (PSD-BA), durante sua fala que lamenta a aprovação do regime de urgência para votação da proposta pelo Plenário.

“Não sei por que se aprovou urgência. Não entendo agilidade para discutir assunto tão importante a toque de caixa”, criticou.

A urgência da proposta foi aprovada no último dia 20 de abril por 280 votos a 165.

De acordo com a assessoria de imprensa da Câmara, o deputado Otto Alencar Filho pretende propor um suposto modelo “intermediário” para transformar os Correios em uma empresa de “economia mista.”

“Precisamos valorizar os ativos dos Correios, mantendo o monopólio, abrindo o capital ao mercado e preservando o controle acionário com o governo.”

Conforme o Terça Livre já noticiou, apesar de não tratar da venda da empresa estatal, o PL do governo Bolsonaro enfrenta duras criticas da esquerda brasileira, que defende as ações total de poder do estado sobre a economia do país.

O texto da proposta prevê que a União manterá para si somente aqueles serviços básicos – como de encomendas simples, cartas e telegramas (o chamado “serviço postal universal”) -.

O assunto foi pauta do Boletim da Noite desta quinta-feira (29), e foi analisado pelo jornalista Italo Lorenzon e Carlos Dias.

“Querem transformar os Correios numa nova Petrobras. Deus não permita”, declarou Lorenzon ao comentar o Regime de Urgência do PL, que trará benefícios ao Brasil, que tem vivido os últimos anos com as conta públicas no “vermelho”.

Já o analista político Carlos Dias questionou a proposta do deputado Otto Alencar Filho.

“Eu queria um dia conversar com o deputado para tentar entender o que ele quer dizer quando fala “precisamos manter o monopólio, abrir capital da empresa e manter o controle do Estado.” Como se abre o capital de uma empresa que é monopólio? Não consegui entender, não tem lógica uma coisa dessas”, disse.

Carlos Dias ainda pontuou os benefícios que a privatização da estatal podem trazer não só ao mercado financeiro, bem como à população brasileira em geral.

“Se a gente consegue fazer isso, a economia roda melhor, você tem mais atividade, mais oferta, mais emprego, menos inflação, menos pressão sobre os preços. E você vê o estado funcionando na maneira adequada para o atendimento os serviços básicos que a população precisa”, pontuou.

ASSISTA AOS COMENTÁRIOS COMPLETOS NO BOLETIM DA NOITE DESSA QUINTA-FEIRA (29):

Colunistas

Juliana GurgelJuliana Gurgel

Católica, produtora, doutora em artes da cena, professora e aikidoista.

Paulo FernandoPaulo Fernando

Advogado, professor de Direito Constitucional e Eleitoral para concu...

Polibio BragaPolibio Braga

Políbio Braga é um jornalista e escritor brasileiro. Nascido em S...

Achou algum erro na matéria? Nos informe através do formulário abaixo: