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‘Devemos louvar a China’, diz diretor de Direitos Humanos e Cidadania do Itamaraty



Durante participação em audiência da comissão temporária da Covid-19 do Senado, o diretor de Direitos Humanos e Cidadania do Ministério das Relações Exteriores, João Lucas Quental de Almeida, disse que o Brasil deveria “louvar a China” pela exportação de ingrediente farmacêutico ativo [IFA] para vacinas.

Almeida afirmou que o Itamaraty  “não tem medido esforços” nas negociações com a China por mais insumos para a vacina.

“Nós devemos, de fato, louvar a China, nesse sentido. China é o país que tem mais exportado IFA [ingrediente farmacêutico ativo] e vacinas neste momento de pandemia. A China exportou metade de toda a sua produção. Nenhum outro país chega perto disso, e nós reconhecemos plenamente esse esforço gigantesco da China para ajudar o mundo e o Brasil, em particular neste momento”.

O assunto foi tema de comentários durante o Boletim da Manhã desta terça-feira (18). Para o analista político Italo Lorenzon, o diretor do Itamaraty escolheu mal as palavras utilizadas.

“Foi uma má escolha de palavras, na melhor das hipóteses. Vamos parar um segundo e pensar no tipo de país que nós vamos louvar. Acompanhem comigo. A China, que muito possivelmente criou o coronavírus em laboratório e por conta de algum acidente deixou escapar. Não acho que foi uma – não tenho dados para afirmar – ação intencional, ao que parece, foi um acidente, embora a China já venha discutindo há mais de 5 anos a possibilidade de fazer uso militar do coronavírus. É uma discussão que já tem 5 anos, então, bem anterior ao que aconteceu, ao surto propriamente dito”, disse.

“A China, que usa o IFA, o ingrediente farmacêutico ativo, como moeda de troca e chantagem, e faz essa chantagem com o Paraguai, dizendo que vai cortar o fornecimento de IFA caso o Paraguai não deixe de reconhecer Taiwan; a mesma China que faz chantagem com a Suécia em troca da aceitação do 5G, que já fez muitas sanções contra a Austrália, está em uma guerra comercial com a Austrália, e possivelmente até uma guerra militar – fala-se em guerra militar mesmo na questão de Taiwan, com relação à Austrália. Tudo isso já mostra qual é o caráter, qual é o ethos que permeia a cúpula chinesa, do Partido Comunista”, acrescentou Lorenzon.

O Terça Livre questionou o Itamaraty sobre o que o diretor João Lucas Quental de Almeida quis dizer ao afirmar que “devemos louvar a China”. Questionou ainda o posicionamento de Almeida sobre a perseguição da China contra os cristãos e contra os Uigures, atitudes que atentam contra os direitos humanos. Não obtivemos resposta até o final desta reportagem. O espaço segue aberto para quaisquer manifestações.

Assista à íntegra dos comentários no Boletim da Manhã

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