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Eleições americanas: fatos perturbadores

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Entre tantos pontos destacados na batalha eleitoral de épica que acontece neste exato instante nos Estados Unidos, há alguns fatos perturbadores que devemos apontar.

Dominion e Smartmatic

A Smartmatic dispensa apresentação. É a empresa que fornece tecnologia das urnas eletrônicas para a Venezuela, Brasil e outros países e é geralmente alvo de paixões eleitorais diversas aqui nas terras tupiniquins. A Dominion começa a seguir o caminho da primeira nestas eleições americanas.

Dominion Voting Systems Corporation e Smartmatic International Corporation são ligadas? Podemos dizer no mínimo que há registro de uma relação comercial, na qual a Smartmatic disputou na justiça uma licença de software com a Dominion.

A decisão judicial é do tribunal do estado de Delaware de 1 de maio de 2013. A Smartmatic processou a Dominion, judicializando uma licença de uso de software.

Clique aqui para conferir.

Antes, em setembro de 2012, a Smartmatic revelou uma relação comercial com a Dominion quando a processou no estado de Delaware, por “violação de licenciamento e práticas de negócios abusivas“.

A Dominion teria violado um contrato de licenciamento e causado interferência delituosa com os negócios da Smartmatic. Que há uma relação comercial, isso é inegável.

Clique aqui para conferir.

Backup, caso apaguem.

Smartmatic, Al Gore e Bush

Segundo o site da empresa, a Smartmatic foi fundada no ano 2000, em Palm Beach County, Flórida, nos EUA.

fundacao smartmatic

No mesmo ano e estado em que se desenvolveu um incidente eleitoral entre Bush e Al Gore muito parecido com o pleito de 2020 entre Trump e Biden.

Em novembro de 2000 os cidadãos americanos votavam para eleger o 43º presidente. George W. Bush, candidato dos republicanos, disputava contra Al Gore, candidato dos democratas. Al Gore havia sido vice-presidente duas vezes ao lado de Bill Clinton, enquanto Bush era governador do Texas e filho do ex-presidente George Bush.

Exceto pela Flórida e o Tennessee, Bush havia vencido em todos os estados do sul do país, além de Ohio, Indiana, na maior parte dos estados rurais e do centro-oeste do país.

Al Gore vencia no nordeste americano (com exceção de New Hampshire), em alguns estados rurais da região centro-oeste superior, em todos os estados da Costa do Pacífico (como Washington, Oregon e Califórnia), e no Havaí.

Apesar de estados menores divulgarem suas escolhas, o foco daquele ano passou a ser a Flórida, que daria 25 votos eleitorais e decidiria o próximo presidente: Bush tinha 246 votos eleitorais, mas Al Gore liderava com 255.

Faltando 10 minutos para as 11h da manhã, pouco antes do fechamento das urnas na Flórida, alguns veículos de imprensa Al Gore como o vencedor dos 25 votos eleitorais. Uma métrica baseada na previsão e sondagens com eleitores, o que no Brasil é conhecido como “boca de urna“. No entanto, quando a contagem de votos começou, Bush assumiu a liderança do estado.

Na noite daquele dia, as emissoras já posicionavam a Flórida entre os estados indefinidos. Em seguida, durante a madrugada, quando 85% das urnas já haviam sido apuradas, Bush liderava com uma vantagem de cerca de 100 mil votos. Naquele momento, o republicano foi declarado eleito presidente dos EUA, mas a discussão se alongou ainda: os condados de Broward, Miami-Dade e Palm Beach, historicamente democratas, pesaram na contagem diminuindo a diferença novamente, e o estado voltou mais uma vez à condição de indeciso.

A briga foi feia naqueles dias, o resultado foi a recontagem de votos.

mapa eleicoes 2000

É bom também lembrar que há mais de duas décadas a Flórida é o 4º maior colégio eleitoral norte-americano. Segundo o Censo de 2000 o estado tinha 15.982.378 habitantes, enquanto o Censo apresentado em 2010 contou 18.801.310 habitantes. Houve, portanto um crescimento de 17,6% na densidade demográfica, mantendo a Flórida na 4ª posição entre estados mais populosos do país. Em 2020, este cenário demográfico ainda é atual.

Ainda entre os pontos relevantes, é que Palm Beach, é um condado que prefere os Democratas. O mesmo condado onde nascera a Smartmatic.

Smartmatic nasceu na Venezuela, segundo a BBC

De acordo com uma matéria publicada no site da BBC, em 2 de agosto de 2017, a Smartmatic teria sido fundada na Venezuela, onde prestaria serviços eleitorais desde 2004. A BBC afirma isso por duas vezes na mesma matéria:

De origem venezuelana, a multinacional Smartmatic tem disponibilizado plataforma de votação eletrônica na Venezuela desde 2004. No domingo, ela também foi a responsável por totalizar os votos.“, diz o jornalista.

Nascida na Venezuela, a empresa – que hoje tem sede em Londres – já foi acusada de ter ligações estreitas com Hugo Chávez.“, acrescenta o jornalista em outro ponto.

Clique aqui para conferir.

Países onde a Smartmatic atua

Segundo o site da empresa, pelo menos 18 localidades usam o sistema para os pleitos políticos.

  1. EUA
  2. Bélgica
  3. Argentina
  4. EUA
  5. Itália
  6. Filipinas
  7. Brasil
  8. Estônia
  9. Reino Unido
  10. Chile
  11. Serra Leoa
  12. Armênia
  13. Uganda
  14. Venezuela
  15. Quirguistão
  16. Equador
  17. Bolívia
  18. União Europeia

Ainda segundo a revista El Economista e a revista BusinessWire, a empresa também atuou na Bulgária.

O site do Institute for Democracy and Electoral Assistance (IDEA) aponta que 21% dos 123 países analisados pela instituição utilizam sistema de voto eletrônico, mas não informa quais aderiram aos produtos da Smartmatic.

idea e-voting

Dominion e os Democratas

Dominion é o segundo maior vendedor de urnas eletrônicas nos Estados Unidos. No ano passado, o estado da Geórgia selecionou a empresa para fornecer o sistema de votação estadual para 2020 e além.

No site da empresa, há um mapa indicando em quais territórios ela atua: 28 estados e Porto Rico.

dominion

Segundo o jornalista Kyle Becker, da Fox News, os maiores entre os chamados “swing states”, ou seja, aqueles estados cujo eleitorado algumas vezes vota nos republicanos e outras vezes vota nos democratas, oscilando de forma imprevisível, estariam utilizando as urnas Dominion.

Nevada, Arizona, Minnesota, Michigan, Wisconsin e Pennsylvania, aponta o Becker.

Fundadora do Black Lives Matter foi observadora das eleições na Venezuela em 2015

Um jornalista do Daily Herald registrou em 2015 a presença de uma das fundadoras do movimento Black Lives Matter nas eleições presidenciais da Venezuela.

Confira:

Um co-fundador da campanha Black Lives Matter está em Caracas para o dia das eleições a convite do governo socialista.

Opal Tometi foi cercada por críticos do governo no Twitter após postar sobre o alívio que sentiu por estar “em um lugar onde há um discurso político inteligente”.

Alguns avisaram que ela estava sendo usada, enquanto outros fizeram comparações zombeteiras com outros americanos importantes que apoiaram a administração socialista, incluindo Sean Penn e Oliver Stone.

Black Lives Matter surgiu da indignação que se seguiu a várias mortes de afro-americanos de alto perfil pela polícia nos Estados Unidos no ano passado.

Em um comunicado divulgado pelo consultor de relações públicas da Venezuela com sede em Washington, Tometi disse que a Venezuela parece “ter um sistema democrático verdadeiramente próspero e rigoroso“.

Enquanto isso no Twitter…

A ativista também fez questão de registrar o momento no próprio perfil do Twitter dela.

Backup, para o caso do tuíte desaparecer…

Sobre o Colunista

Ricardo Roveran

Estudante de artes, filosofia e ciências. Jornalista, crítico de arte e escritor. Escrevo por amor e nas horas vagas salvo o mundo.

Twitter: @RicardoRoveran

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