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Em balanço de gestão, Ernesto Araújo descreve relações que construiu com a China



O diplomata Ernesto Araújo, ex-ministro de Relações Exteriores, publicou em seu blog no último sábado (10) um balanço da gestão que desempenhou à frente do Itamaraty antes de pedir demissão.

Araújo, pedra conservadora no sapato da extrema-imprensa e de políticos da “bancada Huawei”, denunciou a existência de um lobby para a implantação do 5G da empresa chinesa no Brasil. Congressistas trabalhavam pela queda de Araújo devido à ruptura ideológica do governo Bolsonaro com a China.

No longo artigo publicado no blog “Meta Política Brasil” (leia a íntegra aqui), Ernesto Araújo diz ter mantido relações produtivas com a China, evitando atritos em torno das questões de Hong Kong, Taiwan e uigures, e negou ter havido qualquer problema comercial com a China com raízes políticas.

“Organizei a visita presidencial à China e o recebimento pelo Presidente Bolsonaro da visita do Presidente Xi ao Brasil, com resultados palpáveis para o Brasil. Mantive interlocução fluida com o Chanceler chinês. Jamais surgiu nesse período qualquer problema comercial com a China com raízes políticas, tanto assim que as exportações brasileiras para a China aumentaram em 2019 e 2020. Obtivemos acesso a novos produtos agrícolas no mercado chinês. O Brasil foi – como reconheceram autoridades chinesas – o país do mundo que mais recebeu vacinas e insumos de vacinas contra a Covid fabricados na China”.

O ex-ministro do Itamaraty, no entanto, pontuou que ter um determinado país como principal parceiro comercial do Brasil não requer que se ofereça a esse país o direito de intervir em instituições ou limitar a liberdade de expressão ou outras liberdades fundamentais.

“Pautei-me pelo seguinte princípio: o fato de ter um determinado país como principal parceiro comercial do Brasil, seja ele a China ou qualquer outro, não requer de forma alguma, nem justifica, que ofereçamos a esse país o direito de intervir nas nossas instituições, limitar a liberdade de expressão no Brasil e outras liberdades fundamentais, ou determinar nossas decisões estratégicas”.

Ernesto Araújo diz ainda ter-se pautado também “pela observação, absolutamente realista, de que a China possui hoje ambições de expansão mundial de sua influência política e ideológica através da projeção do poder econômico e tecnológico, realidades que necessitam ser levadas em conta por um país como o Brasil, cujo sistema político difere inteiramente do sistema chinês”.

Abandonei a ideia – ingênua ou mal-intencionada – de que a atuação internacional de um país e a sua estrutura sociopolítica interna são mutuamente indiferentes. Rechacei a percepção, igualmente inadequada, de que a projeção econômica de um país nada tem a ver com a projeção de seu sistema político.

Concluindo a descrição do relacionamento com o País de Xi Jinping, o ex-chanceler afirma ter construído uma política não de afastamento em relação à China, mas de objetividade e cautela. “Respeito ao direito da China de ter a sua estratégia de projeção mundial mas, ao mesmo tempo, preservação do direito do Brasil de não atrelar-se a essa estratégia”.

Ao finalizar o balanço de gestão, Ernesto mencionou o discurso do presidente Jair Bolsonaro na noite em que foi eleito. Bolsonaro mencionou, entre seus objetivos, o desejo de libertar o Itamaraty: “Vamos libertar o Itamaraty”, disse, na ocasião. “Estou certo de haver tudo feito para cumprir esse objetivo, para libertar o Itamaraty das masmorras da cleptocracia e colocá-lo junto ao povo”, encerra Araújo.

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Católica, produtora, doutora em artes da cena, professora e aikidoista.

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