fbpx

Em depoimento à CPI da Pandemia, Ernesto Araújo desmente narrativas sobre gestão diplomática

Leopoldo Silva/Agência Senado


O ex-ministro das Relações Exteriores do governo Bolsonaro, Ernesto Araújo, foi o sétimo depoente à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia do Senado e prestou declarações nesta terça-feira (18).

Durante a sessão, Araújo respondeu a perguntas sobre sua gestão diplomática durante a pandemia. Os questionamentos tiveram como focos principais a relação do Brasil com a China e as negociações para compras de vacina pelo Brasil.

O ex-chanceler desmentiu diversas narrativas criadas sobre seu tempo a frente do Ministério das Relações Exteriores, como a tratativa com a China, enquanto de forma muito incisiva, alguns senadores demonstraram sua clara defesa ao país governado pelo Partido Comunista Chinês, acusando Araújo de atacar, por meio de declarações, o regime ditatorial.

A senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP) chegou a responsabilizar a gestão de Araújo pela demora no envio do IFA, pela China, para a produção da CoronaVac. Para ela, o atraso é uma retaliação da China às supostas ofensas de Ernesto Araújo e do governo Bolsonaro. 

O ex-chanceler, por sua vez, ao responder o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), reafirmou ter feito uma boa diplomacia com a China e que não existem indícios de que a política externa tenha sido responsável pelo atraso na entrega de insumos para vacinas.

Ao relatar algumas tratativas com outros países, Ernesto Araújo citou a Índia, que mesmo após o Brasil se declarar contra a quebra de patentes de vacinas para Covid-19, não realizou retaliações no fornecimento de imunizantes para o Brasil. 

Um dos episódios registrados durante a sessão de hoje foi mais uma tentativa de intimidação ao depoente, apoiador do governo Bolsonaro. Após Araújo afirmar que nunca se indispôs com a China, o presidente da Comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), o acusou de “faltar” com a verdade.

Ao comentar e responder questionamentos sobre outros pontos de sua administração no Ministério das Relações Exteriores, Ernesto Araújo reiterou suas denúncias sobre a tratativa e o lobby de parlamentares do Centrão em defesa do 5G chinês.

Conforme o Terça Livre noticiou, os ataques de deputados e senadores pró-China desencadearam a saída de Araújo do cargo.

Em sua fala, o ex-chanceler declarou ainda que o Ministério atendeu aos interesses brasileiros e que a senadora Kátia Abreu teria interesses menos republicanos em relação ao 5G e à China.

Ao responder à senadora Simone Tebet (MDB-MS) sobre a confirmação das acusações a Katia Abreu, pelo possível tráfico de influência em favor da China, Araújo disse que “o tema já está judicializado e as testemunhas falarão em juízo”.

O assunto foi pauta do Boletim da Noite desta terça-feira (18).

“Está certo o ex-ministro Ernesto Araújo, de lançar mão dessa questão da bancada chinesa, que nós sabemos que existe em nosso Congresso”, pontuou o analista político Italo Lorenzon.

O analista disse ainda que o setor ruralista brasileiro, que possui representação no Congresso Nacional, precisa entender as questões de domínio que a China tenta exercer no Brasil.

“A China não quer ser parceira de ninguém, o Partido Comunista não quer ser parceiro de ninguém. Vocês não entenderam isso ainda, quanto mais você alimenta o monstro, mais você está contribuindo para ele vir te pegar depois. Os produtores rurais, em geral, precisam entender a importância dessa questão”, declarou.

ASSISTA A ANÁLISE COMPLETA NO BOLETIM DA NOITE DESSA TERÇA-FEIRA (18):

Colunistas

avatar for Juliana GurgelJuliana Gurgel

Católica, produtora, doutora em artes da cena, professora e aikidoista.

avatar for Paulo FernandoPaulo Fernando

Advogado, professor de Direito Constitucional e Eleitoral para concu...

avatar for Polibio BragaPolibio Braga

Políbio Braga é um jornalista e escritor brasileiro. Nascido em S...

Achou algum erro na matéria? Nos informe através do formulário abaixo: