fbpx

Escolas canadenses queimam livros com histórias consideradas racistas

Reprodução/Observador.pt


 

Livros de histórias como Asterix e Obelix, Lucky Luke e Pocahontas estão desaparecendo de algumas bibliotecas em escolas canadenses por serem tidos como racistas em relação aos povos indígenas. A informação foi divulgada pela rádio Rádio-Canadá na última terça-feira (7), informou o jornal português Observador.

A decisão de destruir os livros foi do Conselho Escolar Católico de Providence, que tem sob sua tutela cerca de 30 escolas católicas no sudoeste do estado de Ontário.

Ao todo, quase 5 mil livros serão destruídos, de modo que 30 deles serão queim ados em um ritual de “purificação pelas chamas”, como forma de reconciliação com os povos indígenas. Cerca de 4.716 livros serão destruídos, uma média de 157 livros por biblioteca.

Ainda de acordo com a publicação, a campanha é encabeçada por Suzy Kies, ligada ao partido de Justin Trudeau, atual primeiro-ministro canadense. Eleito em 2019, o liberal está em campanha para ser reconduzido ao cargo, caso obtenha maioria no parlamento. O pleito está marcado para acontecer em 20 de setembro.

A polêmica vem após a descoberta, nos últimos meses, de centenas de corpos de crianças indígenas, enterrados sob escolas residenciais, para onde eram levadas, depois de retiradas à força das suas famílias. Crê-se que mais de 4.100 crianças tenham morrido desta forma.

A publicação afirma que a Rádio-Canadá teve acesso a um documento no qual constam os títulos eliminados e as razões que justificam a necessidade de desaparecimento das bibliotecas escolares. O uso de referências como “índio”, “esquimó” ou “pele vermelha” (como acontece nos livros de Tintin ou Astérix) é considerado ofensivo. Bem como a sexualização de mulheres indígenas em livros como “Astérix e os Índios”, ou em outro sobre Pocahontas, uma ameríndia retratada com imagens da autoria da Disney.

“As pessoas entram em pânico com a queima de livros, mas estamos falando de milhões de livros que trazem imagens negativas dos indígenas, que perpetuam estereótipos e que são realmente danosos e perigosos”, argumentou Suzy Kies, citada pela Rádio-Canadá.

Já o primeiro-ministro Justin Trudeau, ao ser questionado por jornalistas durante um evento de campanha, afirmou que pessoalmente “nunca concordaria com a queima de livros”.

Porém, ele justificou que não cabe a pessoas que não sejam indígenas “dizer aos indígenas como devem sentir-se ou agir para promover a reconciliação”.

Para Erin O’Toole, líder do Partido Conservador, é “possível remover livros e bandas desenhadas sem queimá-los”, sendo necessária também “uma abordagem respeitosa para as questões de reconciliação”, informou a publicação.

Sobre o Colunista

Italo Toni Bianchi

Ítalo Toni Bianchi, membro do Movimento Conservador, bacharel em teologia pelo Seminário Teológico Batista Nacional Enéas Tognini. Músico percussionista, leitor, preletor e jornalista do portal Terça Livre.

Comente

Clique aqui para comentar

Colunistas

avatar for Juliana GurgelJuliana Gurgel

Católica, produtora, doutora em artes da cena, professora e aikidoista.

avatar for Paulo FernandoPaulo Fernando

Advogado, professor de Direito Constitucional e Eleitoral para concu...

avatar for Polibio BragaPolibio Braga

Políbio Braga é um jornalista e escritor brasileiro. Nascido em S...

Achou algum erro na matéria? Nos informe através do formulário abaixo: