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EUA: Arcebisbo de São Francisco sugere que Biden tenha a Comunhão negada



O Arcebispo da cidade norte-americana de São Francisco, Salvatore J. Cordileone, no último sábado (1), divulgou uma carta pastoral na qual exorta sobre a importância e gravidade de receber a Sagrada Comunhão, o Corpo de Cristo. Na carta, também alertou que qualquer católico que cooperasse com o mal do assassinato de bebês (aborto) deveria abster-se de receber a Eucaristia.

“É fundamentalmente uma questão de integridade: receber o Santíssimo Sacramento na liturgia Católica é esposar publicamente a fé e os ensinamentos morais da Igreja Católica e desejar viver de acordo com isso”, escreveu Cordileone. “Todos nós falhamos de várias maneiras, mas há uma grande diferença entre lutar para viver de acordo com os ensinamentos da Igreja e rejeitar esses ensinamentos.”

Divulgada na festa de São José Operário e no início do mês em homenagem à Bem-Aventurada Virgem Maria, o pronunciamento episcopal vem na esteira da crescente cobertura da mídia sobre o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que se diz católico, se ele deve ser admitido à Sagrada Comunhão dentro da Igreja.

Notoriamente, a postura de Biden e da Santa Igreja são divergentes. Se por um lado o presidente americano se diz católico, por outro, não age como tal. Com pouco tempo no mandato, por exemplo, o democrata começou a desfazer as medidas de Trump contra o aborto, como a suspensão da proibição de financiamento dos EUA para ONGs pró-aborto.

O Arcebispo, em sua carta, mesmo não mencionando diretamente o presidente americano, foi claro: “Se você achar que não deseja ou não pode abandonar sua defesa do aborto, não deve se apresentar para receber a Sagrada Comunhão.”

Aparentemente, a carta de Cordileone sugere que Biden tenha a Comunhão negada, por ser uma autoridade pública (o que seria motivo de escândalo a permissão) e uma vez que escreveu uma seção especificamente para funcionários públicos católicos que defendem o aborto.

“Você está em posição de fazer algo concreto e decisivo para impedir a matança”, disse o arcebispo aos funcionários públicos. “Por favor, pare de matar. E, por favor, pare de fingir que defender ou praticar um grave mal moral – que extingue uma vida humana inocente, que nega um direito humano fundamental – é de alguma forma compatível com a fé católica. Não é. Por favor, volte para casa para a plenitude de sua fé católica.”

Cordileone aponta ainda que, conforme o ensinamento milenar da Igreja, a cooperação formal e a cooperação material imediata com o mal, como o mal do aborto, impede que alguém receba a Sagrada Comunhão – a menos que obtenha a absolvição por meio do Sacramento da Confissão. “O ensino e a disciplina da Igreja sobre a dignidade de receber a Sagrada Comunhão têm sido consistentes ao longo de sua história, desde o início”, observou o Arcebispo.

“[O] ensino de nossa fé é claro: quem mata ou ajuda a matar a criança (mesmo que pessoalmente se oponha ao aborto), quem pressiona ou incentiva a mãe a fazer um aborto, quem paga por isso, quem provê dinheiro a assistência a organizações para promover o aborto, ou que apoiam candidatos ou legislação com o propósito de tornar o aborto uma ‘escolha’ mais facilmente disponível, estão todos cooperando com um mal muito sério”, afirmou o Arcebispo Cordileone. “A cooperação formal e a cooperação material imediata no mal nunca são moralmente justificadas.”

Como argumento, o Arcebisbo cita ainda o testemunho do padre da Igreja São Justino, que ensinou que “Ninguém pode compartilhar a Eucaristia conosco a menos que acredite que o que ensinamos é verdade; a menos que ele seja lavado nas águas regeneradoras do batismo para a remissão de seus pecados, e a menos que ele viva de acordo com os princípios dados a nós por Cristo.”

Cordileone também observou que sua responsabilidade como pastor de almas exigia que ele fosse claro sobre a gravidade do mal do aborto e as razões pelas quais uma pessoa que procura, auxilia ou promove o aborto de qualquer forma não pode receber a Sagrada Comunhão, a menos que primeiro se arrependa e são absolvidos na Confissão.

“Falando por mim mesmo, sempre mantenho diante de mim as palavras do profeta Ezequiel… tremo! Porque, se não desafiar abertamente os católicos sob meu cuidado pastoral que defendem o aborto, tanto eles quanto eu teremos de responder a Deus por sangue inocente”, declarou Dom Cordileone.

O Arcebispo também estendeu a mão às mulheres que fizeram um aborto e outras pessoas afetadas por ele. “Deus te ama. Nós te amamos. Deus quer que você cure, e nós também, e temos os recursos para ajudá-la. Por favor, recorra a nós, porque te amamos e queremos ajudá-la e queremos que você cure”, afirmou, acrescentando que aqueles que se curaram do aborto podem se tornar grandes testemunhas do Evangelho da Misericórdia. “Por causa do que você suportou, você mais do que ninguém pode se tornar uma voz poderosa para a santidade da vida.”

O Arcebispo de São Francisco concluiu a carta convidando todos os de boa vontade a “trabalhar por uma sociedade em que cada novo bebê seja recebido como um dom precioso de Deus e dado as boas-vindas à comunidade humana” e invocando a intercessão de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira dos nascituros, assim como São José e São Francisco, padroeiro da arquidiocese.

Com informações: Catholic News Agency

Sobre o Colunista

Brehnno Galgane

Brehnno Galgane

Graduando em Filosofia pela PUC-Rio, Católico e cultivador de uma narrativa que tenha sentido segundo a forma humana.

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