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Ex-secretário de Saúde do Amazonas depõe na CPI da Covid

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado


O ex-secretário de Saúde do Amazonas Marcellus Campêlo causou desconforto em alguns membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid durante sessão dessa terça-feira (15) ao declarar que a rede de saúde do estado registrou o desabastecimento de oxigênio apenas nos dias 14 e 15 de janeiro.

“Na nossa rede de saúde, foram dois dias — 14 e 15 — com intermitência no fornecimento. No mercado de Manaus, onde as pessoas estavam procurando oxigênio para levar para casa, etc., houve uma procura de oxigênio para poder atender”, disse, em resposta ao relator Renan Calheiros (MDB-AL).

Em outro momento, ao responder ao senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Campêlo disse que procurou o então ministro da Saúde Eduardo Pazuello três dias antes do colapso no estado.

O ex-secretário, no entanto, não exigiu oxigênio ao governo federal, mas solicitou apenas apoio logístico.

“Fiz uma ligação ao ministro Pazuello no dia 7 de janeiro por telefone explicando a necessidade de apoio logístico para trazer oxigênio de Belém a Manaus, a pedido da White Martins [fornecedora dos cilindros]. A partir daí, fizemos contato com o Comando Militar da Amazônia, por orientação do ministro, para fazer esse trabalho logístico. Não houve resposta, que eu saiba”, disse Campêlo na CPI.

Sobre a Operação Sangria da Polícia Federal, o ex-secretário afirmou que a compra de respiradores em uma loja de vinhos foi feita em abril de 2020, antes que ele assumisse a pasta, em 8 de maio. Ele indicou como responsável o ex-secretário Rodrigo Tobias.

“Aqui jaz mais uma narrativa”, pontuou o analista político Italo Lorenzon durante o Boletim da Noite de terça-feira (15).

“O Twitter tem uma função de criar uma lista de pessoas sem precisar segui-las, e eu tenho uma lista de chamada de parlamentares do PT. Algumas vezes, quando estou me sentindo masoquista, eu abro essa lista e dou uma olhada para ver o que está acontecendo ali. A quantidade de tuítes tentando ligar o governo federal ou o presidente Jair Bolsonaro ao que aconteceu em Manaus não é brincadeira, é uma narrativa que eles estão querendo passar, é uma narrativa que eles estão querendo colocar goela a baixo da população”, apontou Lorenzon. 

“Para qualquer pessoa normal, essa coisa toda não faz sentido, mas como eles já estão influenciando você ‘esquentando a panela’, vão induzindo as pessoas a esse tipo de pensamento e de raciocínio. Foi boa essa participação, ficou claro quando a notícia diz que ‘causou reações negativas em parte dos membros da Comissão Parlamentar de Inquérito’. Que reações negativas foram essas? Justamente dos que dependiam da narrativa para continuar alimentando a CPI. Se eles não se arrependeram, daqui a algum tempo se arrependerão de ter aberto essa CPI. Porque a quantidade de narrativas que está sendo sepultada por essa CPI não é brincadeira”, concluiu o analista político.

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