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Exclusivo: Ministro Barroso mostra não conhecer a urna eletrônica, analisa deputada Bia Kicis

Bia Kicis


A atual presidente da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados (CCJ), a deputada federal Bia Kicis, durante o Boletim da Noite dessa quarta-feira (9), analisou a postura do ministro Luís Roberto Barroso diante das urnas eletrônicas.

Segundo a parlamentar, Barroso mostra não conhecer a urna eletrônica.

A advogada e procuradora aposentada do Distrito Federal comentou sobre o andamento Proposta de Emenda Constitucional 135/2019, a PEC do Voto Auditável na comissão especial instalada na Câmara dos Deputados.

“Tudo que o ministro Barroso falou nesta quarta-feira (9) no Plenário da Câmara é exatamente tudo que ele tem repetido nesses vídeos que ele vem gravando em várias línguas. Inclusive, não tem nenhuma novidade, não trouxe nenhuma segurança, simplesmente ele desfiou aquele rosário que é baseado na informação que os técnicos do TSE trazem para os ministros. Só que os técnicos do TSE, hoje, são a única ‘garantia’ que o eleitor tem de que o sistema é lícito e não permite qualquer tipo de fraude. O ministro repete isso como se  fosse verdade, só que não é. Eu posso afirmar isso”, declarou a presidente da CCJ.

Bia Kicis vem trabalhando e estudando ativamente,  desde 2014, o sistema eleitoral brasileiro e a vulnerabilidade das urnas eletrônicas sem o voto impresso.

Segundo a deputada, Barroso alega que as urnas são seguras porque “não é possível alterar o software ou o voto, pelo fato de que há uma série de verificações feitas antes das eleições, inclusive com assinatura eletrônica do procurador-geral da República”.

“Depois disso, as urnas não têm nenhuma conexão com a internet, o ministro afirma que isso impediria um cracker de invadir o sistema. Isso mostra que realmente o ministro não sabe do que ele está falando, porque qualquer pessoa que saiba de TI sabe que é possível deixar um software malicioso à espera de um momento para ele se apresentar e atuar”, ressaltou a parlamentar.

Segundo a deputada, mesmo com todos os testes no software da atual urna eletrônica, a fraude mesmo assim pode acontecer, não existe garantia.

O software pode conter uma programação para, por exemplo, fazer com que uma hora após o início das eleições os votos em uma candidato sejam desviados para outro, e esse software malicioso se autodestrói sem deixar rastros, e o que sai da urna já é o resultado adulterado. Então, nenhuma auditoria posterior poderia encontrar nenhuma linha alterada”, apontou Bia Kicis.

“O nosso sistema não impede a fraude, ele pode dificultar para pessoas comuns, tem que ter uma expertise para fraudar um software de urna eletrônica. Mas existem essas pessoas dentro e fora do sistema, vamos lembrar que estamos falando de uma eleição”, garantiu a deputada. 

“Na urna com o voto impresso é preciso subornar mesários em vários locais para se alterar um resultado de uma eleição, no caso da urna eletrônica é preciso apenas um fraudador”, apontou a deputada federal.

Isso mostra um desconhecimento muito grande por parte do ministro, ele quer que nós tenhamos uma fé cega na urna eletrônica e no sistema eleitoral brasileiro”, concluiu.

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