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Fact-checking: O Antagonista aumenta e também inventa



O blogue de três linhas O Antagonista descobriu uma informação bombástica sobre o empresário Bruno Ayres, sócio do Terça Livre: “Sócio oculto de Allan dos Santos é dono da empresa que faz o Pátria Voluntária, de Michelle Bolsonaro”, diz a manchete de uma notícia publicada nesta segunda-feira, 24. Mas será que é isso mesmo?

Depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compartilhou uma entrevista do jornalista Allan dos Santos, a desesperada imprensa não para de espalhar desinformação e de tentar descredibilizar o trabalho do Terça Livre, querendo impor medo em quem por livre e espontânea vontade contribui com nosso projeto de mídia independente.

Como já noticiamos, a Revista Veja começou a semana noticiando que um “sócio oculto” do Terça Livre estaria na mira das investigações da Polícia Federal nos inquéritos inconstitucionais do Supremo Tribunal Federal (STF). Leia aqui.

Depois de replicar a notícia de Veja, o blogue morista tentou ligar de alguma forma o empresário Bruno Ayres ao governo de Jair Bolsonaro.

A reportagem cria no leitor desatento a ideia de que haveria algo de errado entre uma das empresas de Bruno Ayres atuar no Projeto Pátria Voluntária e, ao mesmo tempo a pessoa de Bruno Ayres ser sócia participante do Terça Livre.

De acordo com o blogue, “Bruno Ayres, apontado pela Polícia Federal como sócio oculto de Allan dos Santos, é dono da empresa Ayr Ayres Serviços de Informação, cujo nome fantasia é V2V.Net, uma provedora de tecnologia para sites de voluntariado”.

Mas O Antagonista parece ter se esquecido de alguns fatos. Por isso, para refrescar a memória dos blogueiros de três linhas, o Terça Livre fez um fact-checking de quem realmente propaga desinformação na internet.

Programa foi criado no governo Temer

O programa Nacional de Voluntariado citado pelo Antagonista foi criado no governo de Michel Temer com o nome “Programa Viva Voluntário” e durou cerca de um ano antes de ser revogado pelo presidente Jair Bolsonaro e renomeado para “Pátria Voluntária”.

O projeto era capitaneado por Marcela Temer e usava plataforma de voluntariado da empresa de Bruno Ayres para gerenciá-lo.

Com amnésia, os blogueiros  antagonistas ocultaram essa informação ao tentar ligar o empresário Bruno Ayres ao governo Bolsonaro e deixar subentendido no imaginário dos leitores que pudesse existir alguma irregularidade nisso.

Observe que o próprio Antagonista, em 2017, noticiou a existência do Programa Viva Voluntário. Os delírios do blogue impediram que os blogueiros fossem mais fundo em suas apurações.

Ayres, que desde 2000 atua em programas nacionais de voluntariado para diferentes administrações, jamais confundiu seu trabalho profissional com apoio a correntes políticas eleitorais. O que é normal para qualquer pessoa reconhecida pelo seu profissionalismo. Algo que todo jornalista deveria saber.

Uma simples busca no site da Casa Civil mostra que, em 2018, a empresa de Bruno Ayres foi contratada pelo Programa Viva Voluntário, por meio de licitação da qual foi vencedora.

Era Bolsonaro o presidente da República no ano de 2018? Era Michelle Bolsonaro a “madrinha” do projeto na época?

Naquele ano, Ayres participou de reuniões na Casa Civil sobre a execução do Projeto de Voluntariado.

O estagiário do Antagonista seletivamente omitiu a data de duas das três agendas expostas na reportagem publicada.

Coincidentemente, as reuniões omitidas são as que ocorreram em 20 de agosto 2018 e 26 de outubro de 2018, portanto, anteriores ao atual governo.

Reunião no dia 20 de agosto:

Reunião no dia 26 de outubro:

Mas quem mantém O Antagonista?

Já que estamos falando de sócios, que tal conhecermos quem financia os trabalhos de O Antagonista?

O blogue de três linhas foi fundado em 2015 por Mário Sabino e Diogo Mainardi, afirmando ser uma mídia independente, mas a linha editorial do blogue sempre foi muito estranha.

O Antagonista cresceu de relevância durante o processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff e durante a campanha presidencial de 2018, quando se mostrou claramente favorável à candidatura do presidente Jair Bolsonaro. De uns tempos para cá, parece que tudo mudou.

O blogue agora publica diversas críticas contra o presidente, insinua crises atrás de crises e deixa todos confusos.

Recentemente, o jornalista Felipe Moura Brasil, devido a seu profissional estilo que tenta imitar Nelson Rubens, foi retirado do cargo de editor de jornalismo da Jovem Pan.

Isso aconteceu pouco tempo depois de o blogueiro mandar fotografar o jornalista Allan dos Santos em sua intimidade com a família. Em seguida, começou a trabalhar no Antagonista. Talvez pela identificação com o modo do blogue de fazer jornalismo.

Sabino e Mainardi, no entanto, não são sócios majoritários de seu próprio negócio, demonstrando o tamanho da independência que eles têm na própria empresa em que emitem suas opiniões e publicam suas fofocas.

Fica a sugestão ao marketing do Terça Livre para um novo curso ou produto com o título “Como Criar Uma Empresa de Jornalismo Independente”.

De 2016 até outubro deste ano, a Empiricus Research era dona de 50% do site. No mês passado, a Empiricus anunciou que estava “deixando” a sociedade com o veículo.

Mas o que aconteceu, em resumo, foi que a participação da Empiricus no Antagonista ficou integralmente com um de seus sócios e CEO, Caio Mesquita.

Em contrapartida, segundo noticiou O Globo, as ações de Caio na Empiricus seriam reduzidas.

Seria estratégia para tentar desassociar a relação entre os nomes Antagonista e Empiricus, já que Caio continua na empresa?

A história da empresa que manteve o comando de O Antagonista durante cerca de quatro anos (e aparentemente ainda o mantém de forma indireta) está recheada de informações ainda mais interessantes.

Recentemente, a Empiricus anunciou parceria com a Vitreo, controlada pela Vectis Partners, de Paulo Lemann, filho do globalista bilionário Jorge Paulo Lemann, conhecido como o George Soros brasileiro.

Com fortuna estimada em US$ 22,7 bilhões, Lemann tem participação em empresas como Heinz, Burger King e Ambev e possui forte influência na política brasileira.

Na Câmara dos Deputados, Jorge Paulo Lemann financia deputados como Tabata Amaral, Tiago Mitraud e Felipe Rigoni. Há, inclusive, uma “Bancada Lemann”, formada por parlamentares apoiados por um dos homens mais ricos do Brasil.

Esses deputados fazem parte de movimentos progressistas como RenovaBR e Acredito. Lemann também é um dos financiadores do Instituto desarmamentista Sou da Paz.

Se a empresa de Bruno Ayres possui alguma influência em Allan dos Santos e vice-versa, a conclusão lógica é que Lemann e Empirus falam pela de boca Claúdio Dantas, Diogo Mainardi e Mario Sabino.

Honradamente, Nelson Rubens aumentava, mas não inventava. Diferente do blogue de três linhas.

Sobre o Colunista

Bruna de Pieri

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