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Globalismo não dá trégua

Guerra, Covid, Trégua de natal


No dia 07/12/1914, há exatos 106 anos, o Papa Bento XV publicou uma carta em nome da paz. Pediu que as armas fossem silenciadas, pelo menos, no dia em que os anjos entoassem canções em honra ao advento mais importante da história, a vinda de Cristo à Terra.

As autoridades bélicas não acataram ao apelo do Vigário e em um épico ato de desobediência militar, os soldados dos exércitos dispararam entre si a fraternidade em lugar da violência.

Entre as trincheiras, iluminadas por árvores-de-natal improvisadas, estes homens compartilharam a ceia, canções natalinas, até mesmo partidas de futebol. Trocaram presentes como broches, bebidas e capacetes e permitiram a troca de correspondência entre os soldados e as famílias que se encontravam no território inimigo.

Deram-se conta da humanidade que habitava o outro lado da trincheira, interagiram entre si e celebraram a fé que os uniu com o mesmo propósito em uma santa missa com intenção pelos soldados abatidos.

Na Primeira grande Guerra Mundial aproximadamente mais de 10 milhões de vidas foram ceifadas em quatro anos de embate. Por mais violenta, visceral e grotesca que tenha sido, nela a importância do espírito sobre o corpo foi reconhecida. Os combatentes que tentaram nova trégua em 1916 foram punidos com a morte, eles conheciam os altos riscos do feito.

Hoje o número de mortes por Covid-19 beira mais de 1 milhão e meio no mundo inteiro. A ordem dos governos se faz mais clara a cada dia, sendo o distanciamento social nossa trincheira hodierna, a máscara facial o objeto de desumanização e o medo a nova baioneta de guerra.

Bruna Uaqui e Guilherme Marin

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