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Google recorre a autora de fake news para defender censura contra o Terça Livre



Após desafiar a Justiça por semanas antes de cumprir a ordem judicial que determinou a devolução do canal do Terça Livre ao YouTube, o Google vale-se agora da ajuda de ninguém mais ninguém menos que Patrícia Campos Mello, jornalista responsável pela maior fake news eleitoral da história do país, para afiançar suas práticas de violação à liberdade de expressão.

Em entrevista publicada em 1º de abril na Folha de São Paulo, o advogado sênior do Google, Guilherme Sanchez, respondendo à pergunta sobre o processo que o Terça Livre move contra a gigante de tecnologia, disse que o YouTube ficará “infestado de violações se não for possível punir quem burla diretrizes”. 

Sem até o momento comprovar a dita violação nos autos do processo, a entrevista não passa de afronta à Justiça e revela o desespero por parte do Google.

Para relembrar, Patrícia Campos Mello é a jornalista condenada por danos morais por ter publicado uma matéria na Folha envolvendo o empresário Luciano Hang em um fantasioso esquema de disparo em massa de mensagens de WhatsApp nas eleições de 2018 implicando a chapa Bolsonaro/Mourão. A acusação caluniosa da jornalista também foi desmontada pela Justiça Eleitoral. 

Como noticiou o Terça Livre, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE)  rejeitou duas ações movidas pelo PDT e pelo Avante que tinham como base única e exclusivamente a reportagem da jornalista e pediam a cassação do presidente eleito.

O relator do caso, ministro Luis Felipe Salomão, apontou que as ações foram propostas trazendo como fatos apenas uma matéria jornalística, não tendo sido apresentadas outras provas no curso das investigações: “… autora não juntou à inicial uma única mensagem sequer com conteúdo falso (print de conversações do WhatsApp) durante o processo eleitoral, o que igualmente deixara de fazer o Jornal Folha de S. Paulo em suas reportagens de 18.10.2018 e 2.12.2018, as quais embasaram as quatro ações eleitorais.”

Mesmo diante de todos esses fatos, o Google recorreu a essa mesma jornalista em tom de desafio ao Tribunal de Justiça e disparou que “se a Justiça brasileira acolher a argumentação do Terça Livre de que as plataformas de internet só podem punir usuários por ordem judicial, as redes sociais podem se tornar um lugar infestado de violações de direitos autorais, pornografia e glorificação à violência”.

As políticas adotadas pelo Google para decidir quem será punido soam no mínimo estranhas em vários casos. Um desses casos, por exemplo, é o de Felipe Neto, proprietário de um dos canais mais influentes no YouTube. Neto, a mais nova “estrela” da política brasileira, já foi indiciado por corrupção de menores e não sofreu nenhuma punição pela plataforma de vídeos. 

Em outro ponto da entrevista, o advogado do Google insiste na tese da suposta apologia à violência no vídeo de Trump veiculado pelo Terça Livre: “As diretrizes [da plataforma] servem para garantir que as interações sejam seguras e saudáveis e assegurar que uma pessoa não poste um vídeo com incitação à violência, como fez o Terça Livre”.

A jornalista condenada por fake news eleitoral complementa a afirmação alegando que “um dos vídeos postados pelo canal [Terça Livre] apontava, sem evidências concretas, a ocorrência de fraudes nas eleições presidenciais nos EUA”.

Repetindo a ladainha de toda a extrema-imprensa, Campos Mello mente (mais uma vez) e ignora todas as dezenas de alegações de fraude que culminaram na prisão de uma mulher no Estado do Texas , e inclusive num extenso relatório que documenta inúmeras investigações de fraude eleitoral produzidas por Peter Navarro, então secretário da Casa Branca.

Para contextualizar, o Terça Livre recebeu a primeira advertência do YouTube por violação que culminou na exclusão do canal quando transmitiu o discurso do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que falava aos jornalistas sobre seu banimento do Twitter.

Segundo o YouTube, ao transmitir o vídeo de Trump, o Terça Livre teria propagado “atos violentos”. Ocorre que no vídeo, Trump pedia pacificidade de seus apoiadores e condenava quaisquer atitudes violentas no episódio envolvendo o Capitólio. 

O mais intrigante é que o Google se recusa a apontar o trecho do discurso em que supostamente há apologia a atos violentos. Suas manifestações no processo proposto pelo Terça Livre não entram no mérito da questão. A empresa a todo momento lança mão de acusações genéricas e conceitos indefinidos, como a de que “o vídeo contribui para a promoção de um ‘ambiente tóxico’ na plataforma”.

Leia também: YouTube quer apagar Donald Trump da história

O “diz advogado” utilizado na manchete da entrevista sugere que a afirmação provém de uma “autoridade” ou “especialista” no assunto.  A técnica é natural do processo de manipulação de informações em que se escolhem a dedo os “especialistas” que falam em favor daquilo que o veículo de comunicação deseja emplacar no público.

Os argumentos do advogado mostram-se antiéticos, já que o caso ainda está em discussão na justiça e, até o momento, vigora entendimento desfavorável ao Google por violar a garantia constitucional da liberdade de expressão e informação ao excluir a conta de uma empresa jornalística da plataforma.

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