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Grupo de Witzel criou fundo da saúde de R$ 2 bilhões para desviar dinheiro, diz MPF



O ex-secretário de Saúde do Rio de Janeiro, Edmar Santos, revelou à Procuradoria Geral da República que o grupo criminoso liderado pelo governador afastado Wilson Witzel criou, em novembro de 2019, o Programa de Financiamento aos Municípios na Área De Saúde (Finansus), com orçamento de R$ 2 bilhões, para atender aos interesses do Palácio Guanabara. 

A afirmação consta entre os 33 anexos da delação premiada do ex-secretário, e que serviu para corroborar boa parte da investigação do Ministério Público Federal. 

De acordo com denúncia do MPF, o Finansus era “operado” pelo grupo comandado pelo Pastor Everaldo, apontado pelos procuradores como um dos três eixos no esquema de desvios montado por Witzel.

O Finansus foi criado no dia 4 de dezembro de 2019 e o critério de divisão de financiamento para cada município seria populacional. A publicação consta no Diário Oficial do Estado. 

Na ocasião, o Governo explicou que a finalidade do fundo era socorrer os municípios no custeio da Saúde.

No entanto, o objetivo desde a sua criação, segundo denunciou Edmar aos procuradores, sempre esteve voltado para atender aos interesses do grupo criminoso, conforme consta no relato descrito pelos procuradores: “Que o colaborador ressalta que o grupo vislumbrou quatro oportunidades para cobrança de vantagens indevidas: (1) cobrança junto aos prefeitos de percentual a ser destinado; (2) possibilidade de pagar o 13º salário da folha de servidores dos municípios; (3) acordo direto do Governador Wilson Witzel com o Prefeito de Duque de Caxias para repasse de R$ 100.000.000,00; (4) envio de valores a Barra Mansa/RJ e Volta Redonda/RJ, a pedido do ex-deputado estadual e ex-prefeito de Volta Redonda Gothardo Netto, a maior do que seria devido pelo critério do Finansus.”

Segundo detalhou Edmar, o esquema seria feito da seguinte forma: o Governo do Estado do Rio de Janeiro faria o repasse ao município, uma empresa envolvida no esquema seria contratada para a execução de um determinado serviço e esse montante seria devolvido para o grupo através dessa empresa.

Edmar também esclarece que, embora o critério para receber o dinheiro fosse pela necessidade do município e pelo número de habitantes, na verdade, a escolha era mediante a relação do prefeito da cidade contemplada com a organização criminosa. 

Num dos trechos da delação, Edmar relata ainda que o próprio Witzel solicitou que o ex-secretário fizesse os repasses aos municípios de Volta Redonda e de Barra Mansa, no interior do Estado.

“Esse é um momento histórico para o país, pois nós não tínhamos visto ainda a população derrubar um governador”, comentou Ricardo Roveran no Boletim da Manhã.

“Quando vocês, os cariocas e fluminenses, fizerem isso, colocarem esses vagabundos na cadeia, é o começo da mudança de curso do Rio de Janeiro”, completou o jornalista.

Com informações, CNN Brasil

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Sobre o Colunista

Brehnno Galgane

Brehnno Galgane

Graduando em Filosofia pela PUC-Rio, Católico e cultivador de uma narrativa que tenha sentido segundo a forma humana.

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