fbpx

Jornalista chinesa deve ficar 5 anos na cadeia por espalhar ‘fake news’



Acusada de “criar brigas”, “causar problemas” e espalhar “fake news” sobre o vírus chinês, a jornalista Zhang Zhan pode ficar até cinco anos na cadeia, informou hoje (17/11) a ONG Chinese Human Rights Defenders (CHRD).

Zhan havia “desaparecido” em 14 de maio, em Wuhan e em 19 de junho a Procuradoria do Novo Distrito de Pudong, em Xangai formalizou a prisão. Desde então, há cerca de seis meses, a jornalista está presa no Centro de Detenção.

O Partido Comunista Chinês (PCCh) a acusa de ter divulgado “fake news” sobre o vírus chinês através do YouTube e redes sociais.

“Ela também aceitou entrevistas dos veículos estrangeiros Free Radio Asia e Epoch Times e especulou maliciosamente sobre a epidemia de covid-19 em Wuhan”, diz a acusação feita pelo PCCh.

Também de acordo com a Chinese Human Right Defenders, há muito tempo Zhang Zhan fala ativamente sobre política, a situação dos direitos humanos na China, foi repetidamente assediada e ameaçada pelas autoridades.

“Em 2019, falou sobre os protestos de Hong Kong postando comentários, escrevendo artigos e segurando cartazes para apoiar os manifestantes. Em setembro de 2019, ela foi intimada pela polícia de Xangai e mais tarde foi detida criminalmente e presa sob a suspeita de ‘provocar brigas’ por seu apoio a Hong Kong. A polícia a libertou em 26 de novembro de 2019. Durante a detenção, ela teria sido forçada a se submeter a exames psiquiátricos duas vezes”, informou a ONG.

Em países de regime comunista, como é caso de China e Rússia, por exemplo, é “comum” que jornalistas desapareçam e reapareçam presos após criticar o regime ou revelarem informações que desagradam os ditadores.

______

As motivações da prisão da jornalista chinesa soa hoje familiar aos ouvidos dos brasileiros. Pela segunda vez, o jornalista Oswaldo Eustáquio foi preso sob alegação de ser autor de “inúmeras fake news” e de desrespeitar ordem judicial, utilizando redes sociais e viajando para São Paulo para colher informações para matéria investigativa que fazia.

“Impedido de frequentar as redes sociais, em data recente, o investigado desrespeitou a ordem judicial e foi autor de inúmeras fake news em que imputou crimes a candidato a prefeito da cidade de São Paulo, sendo necessária ordem judicial da 2ª Zona Eleitoral de São Paulo para retirada do conteúdo”, escreveu o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes na decisão que determinou prisão domiciliar a Eustáquio.

Leia também: No Brasil, prendem jornalistas e soltam criminosos

Assista aos comentários sobre esta notícia no Boletim da Manhã:

Sobre o Colunista

Bruna de Pieri

Bruna de Pieri

Esposa, jornalista, tupãense e católica. 23 anos.

Comente

Clique aqui para comentar

Colunistas

Juliana GurgelJuliana Gurgel

Católica, produtora, doutora em artes da cena, professora e aikidoista.

Paulo FernandoPaulo Fernando

Advogado, professor de Direito Constitucional e Eleitoral para concu...

Polibio BragaPolibio Braga

Políbio Braga é um jornalista e escritor brasileiro. Nascido em S...

Achou algum erro na matéria? Nos informe através do formulário abaixo: