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Juiz absolve Temer e políticos envolvidos no ‘quadrilhão do MDB’

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O juiz Marcus Vinícius Reis Bastos, da 12ª Vara Federal de Brasília, decidiu na última quarta-feira (5) absolver o ex-presidente Michel Temer e outros políticos acusados de envolvimento no chamado “quadrilhão do MDB”.

Segundo a decisão do juiz da 12ª Vara Federal de Brasília, não há elementos comprobatórios suficientes contra os envolvidos. O Ministério Público Federal (MPF) não conseguiu comprovar o crime de organização criminosa e tentou criminalizar a atividade política, também apontou o juiz Marcus Vinícius.

“A denúncia apresentada, em verdade, traduz tentativa de criminalizar a atividade política. Adota determinada suposição – a da existência de organização criminosa que perdurou entre meados de 2006 até os dias atuais apresentando-a como sendo ‘a verdade dos fatos’, nem sequer se dando ao trabalho de apontar os elementos essenciais à caracterização do crime de organização criminosa”, afirmou o juiz.

“Numa só palavra, não evidência a subsistência do vínculo associativo imprescindível à constituição do crime”, concluiu Bastos.

Em um comunicado oficial, os advogados de Michel Temer garantiram que a inocência do ex-presidente “nunca foi nem sequer maculada pelas infames acusações feitas contra ele, e a absolvição a mantém íntegra e inabalada.”

Quando apresentou a denúncia, a Procuradoria-Geral da República (PGR) chegou a afirmar que Michel Temer possivelmente era líder de uma organização criminosa. Segundo a PGR, a organização teria sido criada para cometer crimes contra empresas e órgãos públicos.

Michel Temer e os políticos envolvidos no “quadrilhão do MDB” foram denunciados ainda em 2017, pelo então procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Além de Temer, também foram absolvidos os ex-ministros Eliseu Padilha, Moreira Franco e Henrique Eduardo Alves; os ex-deputados Eduardo Cunha, Geddel Vieira Lima e Rodrigo Rocha Loures; o coronel João Baptista Lima, apontado como operador financeiro de Temer; o advogado José Yunes, amigo do ex-presidente; o doleiro Lúcio Funaro; e Altair Alves Pinto e Sidney Szabo.

Ainda segundo a denúncia da Procuradoria, os envolvidos no esquema teriam recebido propinas que superam o valor de R$ 587,1 milhões, recebidas de empresas e órgãos públicos, entre os quais a Petrobras, Furnas, Caixa Econômica Federal, Ministério da Integração Nacional, Ministério da Agricultura, Secretaria de Aviação Civil e Câmara dos Deputados.

Ao analisar a decisão, o analista político Carlos Dias, durante o Boletim da Manhã desta quinta-feira (6), apontou para a realidade de como era o Brasil antes do governo Bolsonaro.

“Lembramos como era o Brasil antes do governo Bolsonaro. Infelizmente tem esse final, não é? […] Na verdade, é impressionante o desmonte que estão fazendo das acusações, das provas, de tudo o que ocorreu, que vai ficar apenas no ambiente de lembrança da vida nacional, das pessoas que querem se aprofundar e percebeu o que aconteceu com o país, e não quer se vincular à punibilidade dos eventuais criminosos, mas nós temos que lembrar que nós vivemos essa história”, pontuou o analista político.

“A história do Joesley, do Rocha Loures, a história do apartamento lá em Salvador com uma mala de 50 milhões de reais. Isso são fatos, são coisas que aconteceram. Se elas desaguarem ou não em uma condição de prova efetiva que convença o juiz da culpabilidade daqueles que foram indiciados criminalmente pelo Ministério Público Federal, isso é outro assunto, erro processual, enfim, não sei qual foi a alegação dos advogados, mas isso tem que ficar registrado na nossa memória, porque a condenação tem que vir da nossa parte”, completou Carlos Dias.

“Nós não podemos conviver em um país com essa estrutura e organização que de fato tentou, sim, burlar a estrutura política e administrativa através de uma corrupção profunda”, concluiu.

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