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Kassio Nunes: o assunto da década, mas isso é tão importante assim?



Autor: Edivaldo de Carvalho

O assunto da década é a indicação do desembargador do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF-1), Kassio Nunes Marques, para o Supremo Tribunal Federal (STF) pelo presidente da República Jair Bolsonaro. O desembargador é o escolhido para a cadeira a ser deixada por Celso de Mello. Muitos dizem que a indicação de Kassio Nunes ao STF pelo presidente é uma troca (toma lá dá cá) da base conservadora pela base do “establishment”.

Outros dizem que é um equívoco mesmo. Para mais, é a tragédia da década, já que o cargo para ministro do STF é vitalício até a idade máxima da aposentadoria compulsória, hoje fixada em 75 anos. Como o indicado Kassio Nunes tem 48 anos, então estamos falando de 27 anos no Supremo. Chuva de críticas e todos querendo entender a escolha do presidente. Nas manchetes, uma bem chamativa: “Bolsonaro vai se arrepender de Kassio Nunes no Supremo. Cedo ou tarde” (J.R. Guzzo/ Gazeta do Povo).

Sabemos que o Kassio Nunes foi indicado ao TRF-1 por Dilma Roussef e sabemos que essa indicação está aquém do que buscamos para a vaga. O presidente defende: “por muitos estaria Sérgio Moro na vaga”. Mas esqueceu que foi ele mesmo que indicou Sergio Moro para a vaga de ministro.

Certamente, Kassio Nunes não corresponde às necessidades do Brasil, que almeja a estabilidade política. Foi um mais do mesmo. Para completar, em entrevista rápida, Bolsonaro foi enfático: “Ou vocês confiam em mim, ou não confiam!” Em suma, só nos resta tentar digerir Kassio Nunes e aguardar um pouco, mas não é nem de perto o que esperávamos, como disse Ives Gandra.

Mas você já se perguntou contra quem você está lutando, ou qual o motiva da sua luta? Se você não se atentar para isso, aprenda a se acostumar com os tombos. Enquanto a esquerda é unida num único propósito, que é instaurar o caos no país para poder voltar a exercer com mais eficácia seu projeto de poder totalitário que é instalar o socialismo no Brasil para atingir o ápice: o comunismo. A direita, ainda engatinhando por aqui, é desunida, confusa e dispersa, e não tem o propósito de transformar o Brasil num país conservador e cristão de fato. Falta objetivo na direita brasileira, ou melhor, falta o objetivo central e vital: o conservadorismo cristão.

Os ataques são claros contra o cristianismo, e isso é que está acontecendo, a guerra contra a cultura judaico-cristã está ativa há muito tempo, mas o problema é que muitos negam isso. De acordo com um artigo do Brasil Sem Medo de 2 de outubro de 2020, escrito por Cristian Derosa, “A cristofobia, denunciada por Bolsonaro, é negada pelos jornais como quem é pego com as calças na mão. ‘Não é nada disso que você está pensando’, diz o adúltero.”

E, já que mencionei perseguição aos cristãos, vamos falar um pouco sobre o comunismo. Ele sempre causou fome e destruição por onde passou. Posso citar Ucrânia, Coreia do Norte, Cuba, China (ou você pensa que comer insetos ou qualquer coisa que se mova é porque é gostoso? Ou seria por necessidade?).

Às vezes, podemos pensar que isso são modos e costumes dos povos de longe, mas falaremos da Venezuela: eles os venezuelanos passaram a comer seus cachorros e gatos porque é gostoso ou não têm o que comer? Sim, você assistiu e está assistindo com os seus próprios olhos a todo esse enredo. Mas, só para confirmar, temos a Argentina, onde a maior fábrica de refrigerantes do planeta, Coca-Cola, está abandonando o país e vindo para o Brasil para fugir do socialismo.

Os defensores do pensamento revolucionário e dos regimes totalitários decorrentes desse ideário se utilizam sempre das mesmas narrativas: não deu certo naquela época, naquele lugar, mas agora dará certo; não deu certo na Venezuela, mas agora dará certo na Argentina; não deu certo na Argentina, mas dará certo no Brasil…

A pergunta que fica: até quando as pessoas cairão nessa armadilha? De que existe um paraíso comunista, que parece mais com um inferno. Como disse Saul Alinsky em sua dedicatória para Lúcifer: “Não devemos nos esquecer de olhar ao passado para dar crédito ao primeiro radical de todos: de todas as lendas, mitologia e história (e, quem sabe onde a mitologia termina e começa a história – ou qual é qual), o primeiro radical conhecido pelo homem que se rebelou contra o sistema estabelecido, e o fez tão eficazmente que, pelo menos, ganhou seu próprio reino – Lúcifer.”

Alinsky influenciou sobremaneira a New Left. O termo Nova Esquerda é contraditório, pois o esquerdismo nunca é novo. O marxismo, uma das vertentes do esquerdismo, foi reinventado pela Escola de Frankfurt e por Antônio Gramsci, formado em Filosofia e criminologista por profissão.

De orientação contra o sistema capitalista americano. Fundou ONGs de orientação ‘comunitária, mas que na realidade são comunistas’ nos EUA. Teve contatos pessoais com Hillary Clinton, a qual escreveu uma monografia sobre seus métodos. Barack Obama atuou como advogado em uma organização que ele ajudou a fundar e que se orientava por suas táticas (ACORN – Association of Community Organizations for Reform Now), exatamente como o MEC no Brasil. Faleceu em 1972. Alinsky foi um dos principais influenciadores de Paulo Freire, se não “o” Influenciador e de todo o moderno sistema brasileiro de ensino.

Contra quem estamos lutando? Você pode ficar preocupado com a indicação do Kassio Nunes, mas saiba que o buraco é bem mais embaixo, pois Nunes estudou e tem formação pelo método de ensino que pretende fazer da Terra um Inferno. Em suma, a luta é de quem quer implantar o Inferno na Terra contra aqueles que almejam o Reino dos Céus e batalham para salvar almas.

Em qual reino se encaixa mais o perfil do Kassio Nunes? Em princípio, ainda não sabemos. No entanto, pelos frutos conhecereis a árvore: “Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos?” (Mateus 7:16). Eis o fruto da escola de Frankfurt, o resultado de todo o poder anticristão. Nunes não é o único, mas sim um dentre muitos que foram doutrinados pelo sistema marxista. Se utilizando o senso de proporção adequado, o assunto da década é nitidamente menos importante que o assunto do milênio: o cristianismo. E certamente, a luta do conservadorismo também é maior que algumas décadas.

Porém, há os céticos em relação à indicação, e que defendem que é a realidade possível para o momento. De qualquer jeito, fato é que, agora, Kassio Nunes no STF é uma realidade e, querendo ou não, é com essa realidade com que teremos que lidar.

Ao fim e ao cabo, diante desse “assunto da década”, resta-nos perguntarmos a nós mesmos, o que podemos fazer de concreto agora e daqui para frente? Por qual Brasil vamos lutar? Que faremos? Sairemos à Moro, com mais uma “facada” em Bolsonaro, devido a uma escolha terrível, mas possivelmente inevitável? Ou trabalhamos com afinco para trabalhar pelo objetivo vital do conservadorismo que é transformar o Brasil num país conservador e cristão? Engoliremos Kassio Nunes a seco, mas a guerra continua, porém, com uma grande batalha perdida.

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