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Lula voltará ao poder seguindo a mesma estratégia de Chávez na Venezuela, avalia Allan dos Santos; entenda

ALEXANDRE MENEGHINI/AP


Ao analisar na manhã desta terça-feira (27) que a CPI da Covid é mais uma ação política, o jornalista e fundador do Terça Livre, Allan dos Santos, traçou analogia entre o modo como Hugo Chávez chegou à Presidência da Venezuela e de como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode voltar ao poder utilizando-se da mesma estratégia.

Em entrevista concedida ao Terça Livre em 2015, Pedro Carmona, ex-presidente da Venezuela, narra que Hugo Chávez tentou dois golpes de Estado em 1992. Carmona ocupou brevemente a Presidência em 2002, durante uma tentativa de golpe contra Chávez.

Hugo Chávez foi presidente da Venezuela de 1999 a 2013, ano de sua morte. Quando tentou um golpe de Estado, o país era presidido por Carlos Andrés Pérez. As Forças Armadas eram institucionalistas, no conceito de Carmona, ou seja: defendiam a Constituição e as próprias instituições. Por isso, as duas tentativas de golpe foram desarmadas pelas Forças Armadas da Venezuela.

Depois de dois anos preso, Chávez acabou recebendo um indulto e foi libertado no governo de Rafael Caldera. Mais do que um indulto, ele recebeu um perdão total.

O ex-presidente da Venezuela continua a entrevista dizendo que ali começou o plano de Chávez para uma reconquista por vias eleitorais. Ele fracassou por meio da força e da insurreição, e passou a tentar pela via eleitoral.

O ex-presidente venezuelano afirma que Chávez alcançou a vitória pelas mãos do ex-presidente de Cuba, Fidel Castro. Carmona continua o relato dizendo que Chávez foi preso em 1992, foi solto em 1994 e foi recebido por Fidel Castro como chefe de Estado e, a partir disso, Castro se tornou o mentor, como um pai político.

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Carmona comenta que Chávez tinha alguns vazios sentimentais por causa de sua relação com a família e Fidel Castro se aproveitou disso. Nisso, o Foro de São Paulo tinha 4 anos. Então, Fidel Castro se transformou em uma peça chave.

Allan dos Santos reforça que Hugo Chávez tentou um golpe duas vezes em 1992 no governo do presidente Carlos Andrés Pérez. Foi preso e posteriormente absolvido, em 1994, pelo presidente Rafael Caldera. A anistia abriu caminho para que Chávez concorresse e saísse vitorioso da eleição em 1998, sucedendo Caldera.

“Caldera foi uma estratégia de transição da esquerda, para sair do governo de Carlos Andrés Pérez, para a ditadura de Hugo Chávez”, pontua Allan dos Santos. “O que o Brasil está vivendo neste exato momento? O mesmo processo”, acrescentou.

Ainda de acordo com Allan dos Santos, a CPI, antes mesmo de começar, é uma ação política que faz parte do todo. “Que todo? A soltura do André do Rap, a prisão do deputado Daniel Silveira, do jornalista Oswaldo Eustáquio, da ex-ativista Sara Winter, soltura de Lula, sua ‘absolvição’, julgamento de suspeição do ex-ministro Sérgio Moro como juiz. Nós estamos no meio do processo”, avaliou. “As pessoas não sabem  sobre o Chávez, o povo não vai conseguir fazer analogia disso com o que está acontecendo com o Lula”.

Esquerda nunca está inativa

Allan dos Santos relembrou que em 7 de dezembro de 2019 a imprensa noticiava que o petista José Dirceu defendia a criação de um “rede de inteligência da esquerda”. A organização serviria para contrapor polícias e Forças Armadas. Também fariam frente às ações dos perfis de direita nas redes sociais.

A organização teria de ser formada por militantes de esquerda, integrantes de movimentos sociais, além de pessoas que se identificam com as causas socialistas e comunistas. O nome da entidade: Rede Nacional de Inteligência Cidadã.

“Vejam a data de quando tudo começou. Foi um mês depois de eu ter mostrado um pouco para a esquerda o que era a direita, na CPMI das Fake News. Eles viram que não conseguiriam bater na direita com argumentos, e aí percebemos que o Dirceu, que nunca deixou de ser membro do Exército cubano, está por trás de tudo isso aqui”, comentou Allan dos Santos.

“Dirceu será alvo de inquérito do STF? Alguém vai usar a Lei de Segurança Nacional contra o Dirceu? Não! Porque o próprio STF disse que ele podia ir para casa. Dirceu deveria estar preso, ele e Lula”, disse.

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