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Mídias de esquerda já foram mais rentáveis em outros tempos

Lula e o editor da Fórum, Renato Rovai


Relatório encaminhado pelo presidente do Google Brasil, Fábio Coelho, ao chefe da Secretaria de Comunicação do governo (SECOM), Fabio Wajngarten, mostra como foram aplicadas as peças publicitárias durante os 38 dias de campanha da “Nova Previdência”.

O documento é um esclarecimento à matéria do jornal O Globo publicada nesta quarta-feira (3). A reportagem afirma que o governo federal veiculou mais de 2 milhões de anúncios em canais com “conteúdos inadequados”, segundo levantamento de consultores legislativos da Câmara dos Deputados a pedido da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News.

Ainda de acordo com a reportagem, entre os meios de comunicação estariam sites, aplicativos de celular e canais no Youtube que veiculariam informações falsas, material pornográfico e difundiriam jogos de azar e investimentos ilegais.

O presidente do Google explicou que, do ponto de vista técnico, o investimento total da campanha da “Nova Previdência” por meio do Google Ads foi de R$ 5.141.948,29, com um total de 723.120.120 impressões:

“Em relação aos sites, canais de YouTube e aplicativos mencionados na reportagem, no período especificamente citado (de 06 de junho a 13 de julho de 2019), eles representam R$ 584,18 (0,01%) do orçamento total da campanha. Importante reforçar que o nosso modelo de cobrança nesta campanha foi por clique e abaixo você encontra uma análise mais detalhada sobre os sites e canais mencionados na reportagem”.

O maior questionamento da grande mídia foi o valor que canal Terça Livre no Youtube teria recebido “do governo” por meio do Google Ads. O relatório (veja a íntegra) mostrou, no entanto, que o TL recebeu, curiosamente, menos do que sites de esquerda que fazem oposição ao governo Bolsonaro.

Em outras palavras, os dados do Google fazem cair por terra a narrativa de que a SECOM estaria pagando sites “bolsonaristas” para promover as ações do governo federal.

Blogues de esquerda já foram mais rentáveis

Note que no gráfico do Google quem mais recebeu foi a revista de ultra-esquerda Fórum do jornalista Renato Rovai. Foram R$ 157 no site e R$ 11 no canal do Youtube. Já o Diário do Centro do Mundo (DCM TV), outro canal de esquerda no Youtube, recebeu R$ 81,72.

Mas o problema mesmo são os “sites bolsonaristas” como o Terça Livre, que recebeu R$ 32 ou o Jornal da Cidade Online, que aparece recebendo R$ 60,38.

Vale a pena frisar: Em outras épocas, canais de esquerda já foram mais rentáveis. Ao invés de receberem de forma indireta, por meio do Google Ads, recebiam do próprio governo valores exorbitantes, o que nunca foi motivo de espanto a quem hoje se dedica a encontrar formas desonestas de acusar o Terça Livre de receber verbas da SECOM.

Em fevereiro deste ano o portal de notícias da Revista Fórum disse que o jornalista Allan dos Santos estava recebendo um “bom dinheiro” (R$ 100 mil por mês) da SECOM. O processo já está correndo e tanto a Fórum, como a Istoé (de onde partiu a acusação) terão de provar o que noticiaram.

Dados do Instituto para o Acompanhamento da Publicidade (IAP) mostram que, em quase 15 anos a Revista Fórum recebeu o total de R$ 4.201.695,24. As verbas eram destinadas tanto à revista física, já extinta, como ao portal de notícias na internet. (Relembre)

Já o Diário do Centro do Mundo (DCM) recebeu de 2013 a 2016, R$ 1 milhão, 408 mil, 079 reais e 70 centavos do governo.

Mas por que o modelo de publicidade do atual governo incomoda tanto? 

A “mamata” vivida em tempos de Lula e Dilma não existe mais. Em coletiva de imprensa convocada ontem (3), Fabio Wajngarten reafirmou que o governo não investe diretamente em blogues.

“O investimento da mídia é feita por uma plataforma do Google chamada AdSense, via agências de publicidade, que fazem a gestão técnica do investimento. Somos clientes da agência, que é cliente do Google”, explicou.

O chefe da Secom também explicou que fica a cargo do próprio Google Ads escolher onde as publicidades serão veiculadas e que isso é feito de acordo com a quantidade de views que cada site ou canal de Youtube possui.

As empresas que aceitam receber publicidades do Google simplesmente não podem escolher qual propaganda será anunciada.

Wajngarten explicou também na coletiva de ontem como este ecossistema publicitário funciona. Clique aqui e acesse a apresentação de slides utilizada durante o pronunciamento para entender melhor o assunto.

O modelo de mídia digital alternativa e independente, através da internet e das redes sociais, incomoda a quem antes costumava faturar para falar bem de determinados governos.

O chefe da Secom foi enfático ontem ao afirmar que um grupo de comunicação usa nesse momento a Secom para atingir uma dessas plataformas [de mídia digital] que vem crescendo e retirando o faturamento desse mesmo grupo de comunicação…

O será que O Globo é tão ingênuo que não sabia como funcionam os anúncios por meio do Google AdSense?

Sobre o Colunista

Bruna de Pieri

Bruna de Pieri

Jornalista e católica.

2 Comentários

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  • Muito bom mesmo este artigo. A esquerda lesa de múltiplas formas. Quando Lula “pagou” a dívida externa mas transformando-a, apenas, em divida interna com juros inacreditáveis tornando-a impagável, que rende muito aos bancos que hoje anunciam na Globo, “rendendo” esta homenagem financeira à emissora. É só levantar esse tapete também pois é um outro tipo de crime. É uma forma que Lula encontrou de bonificar $$$ indiretamente, inclusive, a emissora, ad aeternum.

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