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Moradores de Araraquara relatam falta de comida durante lockdown



Diante de medidas autoritárias e sem nenhuma comprovação científica de eficácia para frear casos de Covid-19, o cenário no município de Araraquara parece de um país como a Argentina.

Em apenas seis dias de bloqueio total na cidade, talvez um dos mais rígidos do país, supermercados registram desabastecimento; habitantes apontam aumento do número de pessoas em situação de pobreza nas ruas. É o que mostra uma reportagem da Jovem Pan.

O prefeito petista Edinho Silva — que ficou conhecido por  causa do episódio da prisão de uma senhora que estava caminhando na praça — não estava permitindo a abertura de supermercados, que deveriam funcionar apenas no esquema de delivery.

Segundo as informações, na quarta e na quinta-feira, redes maiores de atacados que atendiam a cidade já anunciavam o atraso de entregas ou a pausa no recebimento de pedidos por causa da alta demanda daqueles que queriam estocar alimentos.

“Enquanto alguns mercados menores não têm como fornecer, outros, que não tinham sistema de distribuição para residências em larga escala, tiveram dificuldades logísticas de cumprir com os pedidos. Nos perfis dos supermercados nas redes sociais, é possível ver prazos de entrega que datam de dois ou três dias, assim como locais que suspenderam todos os pedidos porque não tinham capacidade de lidar com o excesso de demanda”, diz a reportagem.

Segundo Marcelo Santana, que tem gastado suas reservas financeiras após perder o emprego no início da pandemia, alguns estabelecimentos também estão exigindo uma compra mínima de R$ 50 ou R$ 80, o que impede que os clientes adquiram produtos individuais, como pão e leite, por exemplo, afirma ainda o texto da reportagem.

O assunto foi comentado no Boletim da Manhã desta segunda-feira (1º). O fundador do Terça Livre, Italo Lorenzon, alisou que a cidade de Araraquara está sendo sufocada aos poucos.

“As pessoas não têm mais trabalho nem comida! E é óbvio que nas cidades do interior elas vão sofrer muito mais do que nas grandes cidades. Porque nas grandes cidades você tem os oligopólios, grandes empresários, empresas que podem aguentar até anos de prejuízo”, disse Lorenzon. “Um lockdown para uma cidade como essa, é algo devastador”, acrescentou.

Somente no ano passado o governo federal destinou mais de R$ 34,8 bilhões em recursos para o município. No entanto, os milhões repassados não foram suficientes para que a prefeitura pudesse se estruturar e agora o município vê seu sistema de saúde colapsar, sem leitos suficientes para atender a população.

Em meados de maio, o prefeito de Araraquara, que é ex-ministro de Dilma Rousseff, foi acusado de participar de um forte esquema criminoso envolvendo a compra de respiradores para o município.

O petista teria comprado respiradores por um preço acima do valor de mercado. Segundo noticiou a Revista Oeste, em termos de comparação, o valor de mercado do equipamento obtido pela prefeitura de Araraquara oscilava entre R$ 60 mil e R$ 75 mil. Contudo, Edinho Siiva teria pago R$ 168 mil em cada respirador.

Araraquara também foi palco da chocante prisão de uma mulher que se recusou a deixar uma praça local. Tratada como uma criminosa, a cidadã foi imobilizada pela Guarda Municipal, que entrou em luta corporal e a algemou antes de levá-la detida à prisão. Como tentativa de defesa, a mulher chegou a morder uma guarda.

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