fbpx

Morre Ion Mihai Pacepa, autor do livro ‘Desinformação’



Morreu aos 92 anos Ion Mihai Pacepa, autor do importante livro “Desinformação”,  que relata as estratégias de desinformação durante a era soviética. Pacepa faleceu em 14 de fevereiro após contrair o coronavírus, conforme informou a imprensa europeia.

Ion Mihai Pacepa era tenente-general da Securitate, braço romeno da KGB. Como uma pessoa de alta patente dentro do bloco soviético, Pacepa sabia de muitas estratégias utilizadas pelos líderes do governo. A desinformação foi uma delas.

Se tornou o desertor de maior patente do bloco soviético quando fugiu da Romênia e buscou asilo nos Estados Unidos. Ronald Rychlak, co-autor de Pacepa, disse à RFE que Pacepa morreu em um hospital em um local não revelado nos Estados Unidos.

Rychlak disse que foi notificado da morte pela esposa de Pacepa e que havia falado diretamente com Pacepa no dia anterior, quando sua saúde começou a piorar. Não houve nenhum anúncio oficial sobre a morte de Pacepa.

Pacepa ingressou na agência de inteligência Securitate em 1951 e subiu na hierarquia. Na época de sua deserção em 1978, era um importante general da temida polícia secreta Securitate da Romênia. Ele também foi assessor do ditador Nicolae Ceausescu e ocupou outros cargos de alta segurança no governo.

Depois de receber asilo político do presidente Jimmy Carter, Pacepa viveu sob uma identidade assumida e proteção do governo, tendo mudado seu nome e identidade duas vezes após ter sido comprometido.

Ceausescu teria oferecido uma recompensa de US $ 1 milhão por informações que levassem à sua captura ou morte. Em 1987, Pacepa publicou um livro de memórias chamado Red Horizons: Chronicles Of A Communist Spy Chief que foi traduzido para o romeno e cópias contrabandeadas para a Romênia.

No ano seguinte, o livro foi serializado e transmitido pela Rádio Europa Livre — Serviço Romeno da Rádio Liberdade — gerando grande interesse na Romênia.

Em dezembro de 1989, enquanto a Romênia era tomada por violentos protestos, Ceausescu foi preso e levado a julgamento por um tribunal militar.

Trechos das memórias de Pacepa teriam sido lidos nos autos durante o julgamento, que terminou com Ceausescu e sua esposa sendo executados por um pelotão de fuzilamento.

“Seja como for que olhamos e julgamos, seu livro ‘Red Horizons’ contribuiu para desmascarar a ‘Grande Mentira’. Depois de romper com a ditadura a que serviu, tornou-se um opositor irreconciliável do comunismo”, escreveu Vladimir Tismaneanu, professor de ciência política da Universidade de Maryland, em artigo publicado pelo Serviço Romeno da RFE.

Em 2009, Pacepa publicou um livro de confissões chamado Face To Face, baseado em uma série de entrevistas da jornalista romena Lucia Longin. Em 2013, Pacepa e Rychlak colaboraram em um livro chamado Desinformação, no qual Pacepa detalhou como a KGB soviética e as agências de inteligência aliadas trabalharam para semear desinformação e plantar notícias falsas na mídia ocidental.

No livro, que é escrito em grande parte como uma narrativa em primeira pessoa, Pacepa disse que a União Soviética orquestrou uma campanha de propaganda anti-americana e anti-israelense no Oriente Médio há quatro décadas – e os efeitos do esforço ainda reverberam no presente terrorismo islâmico diário.

“Antes de eu deixar a Romênia para sempre em 1978, [o serviço de inteligência estrangeira da Romênia] havia enviado cerca de 500 desses agentes secretos [de influência] para vários países islâmicos. A maioria deles eram servidores religiosos, engenheiros, médicos, professores e instrutores de arte”, disse Pacepa à RFE/RL em uma rara entrevista após a publicação do livro.

Pacepa lembrou-se de ter recebido manuais de instrução soviéticos para estudar e de como esses manuais contavam o início das campanhas de desinformação que remontavam à Rússia da era czarista.

“O anti-semitismo czarista gerou os pogroms. O anti-semitismo nazista engendrou o Holocausto. O anti-semitismo soviético gerou o terrorismo internacional de hoje”, disse ele à RFE/RL.

Anos depois de desertar, Pacepa, um devoto católico romano, explicou que um dos motivos pelos quais fugiu da Romênia e desertou para o Ocidente foi que Ceausescu ordenou que ele assassinasse os chefes do Serviço Romeno da Rádio Europa Livre.

O casamento de Pacepa com sua esposa na Romênia terminou antes de ele desertar. Ele deixa sua segunda esposa e uma filha adulta, de acordo com Rychlak.

Sobre o Colunista

Bruna de Pieri

Bruna de Pieri

Esposa, jornalista, tupãense e católica. 23 anos.

Comente

Clique aqui para comentar

Colunistas

Juliana GurgelJuliana Gurgel

Católica, produtora, doutora em artes da cena, professora e aikidoista.

Paulo FernandoPaulo Fernando

Advogado, professor de Direito Constitucional e Eleitoral para concu...

Polibio BragaPolibio Braga

Políbio Braga é um jornalista e escritor brasileiro. Nascido em S...

Achou algum erro na matéria? Nos informe através do formulário abaixo: