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O poder e a distorção da realidade



 

A manipulação da informação por meio da linguagem é imprescindível à engrenagem do poder. O discurso ao público está intrinsecamente ligado à forma como o povo enxerga as situações que o circundam.

Quanto maior for o entendimento de um indivíduo a respeito da língua, menor é a chance de ser persuadido por falsas premissas, uma vez que tem maior percepção da real intenção das palavras usadas na comunicação. Quem é capaz de decodificar as palavras e encontrar seu verdadeiro sentido na realidade dificilmente será ludibriado pelas estratégias midiáticas de alienação em massa.

Ao analisar um discurso ou um debate, há que se observar o conceito de signo, significado e referente, e as possibilidades de manipulação do sentido que as palavras carregam.

O signo, ou significante, é um sinal auditivo ou visual sobre o qual as narrativas se constroem, é o objeto de apreciação do discurso. Já o significado são as palavras que transpassam as intenções sobre o que é dito. A junção de signo e significado é a representação na realidade, o referente.

Com base nos conceitos explicitados, compreende-se como algumas palavras são cotidianamente inseridas em narrativas aparentemente inofensivas que transformam a forma como as pessoas enxergam a realidade.

A isso se chama corrupção da linguagem, a manipulação do significado que os signos possuem, com objetivo certeiro de alterar o referente.

Todos esses arranjos linguísticos estão nos meios de comunicação, nos discursos políticos, nas obras literárias e na fala apaixonada de professores, artistas e influenciadores digitais.

Quando a mídia usa os termos “democrático”, “liberdade de expressão”, “miliciano”, “genocida” e “fake news” está desenvolvendo novos significados a essas palavras, para que os referentes na vida real sejam moldados aos seus interesses.

Quando as matérias passam a se referir a mulheres como “seres humanos com vagina”, ou no caso da maternidade inglesa que trocou os nomes referentes à amamentação para termos como “leite humano”, observa-se nitidamente qual o objetivo dessas sutis trocas. Isso é só um exemplo prático de corrupção da linguagem.

A deturpação do verdadeiro significado das coisas começa pela corrupção da linguagem e essa prática vem sendo desenvolvida sorrateiramente pela esquerda há anos.

O iluminismo começou com a corrupção da palavra “razão”, esvaziou-a do seu sentido tradicional verdadeiro, demolindo aos poucos a ideia da existência de uma verdade objetiva. Tudo o que é vivido hoje, os problemas de identidade, as ideologias, a incapacidade de raciocinar, são consequências de algo que aconteceu há 200 anos.

É a extração da razão verdadeira, fazendo do ser humano apenas um bicho altamente emocional. Já o uso desordenado da razão é mecanicismo puro.

A verdade relativa permite que 2+2 seja igual a 5. A própria matemática já está sendo considerada por alguns militantes de esquerda como racista… e a objetividade das respostas, o “certo” e “errado”, vista como um meio coerção.

A distorção da realidade é dada a partir da relativização da verdade, da argumentação sobre fatos concretos em tom subjetivo, pessoal e tendencioso.

Na ficção orwelliana 1984, a corrupção da linguagem foi normatizada sob inocente título de novilíngua. Todo o corpo midiático concentrava-se no gigantesco Ministério da Verdade, responsável pelo controle das notícias, do entretenimento, da educação e das belas artes.

O partido conseguiu controlar a realidade dos infelizes protagonistas da distopia moldando as informações a serviço de seus interesses.
“Quem controla o passado controla o futuro; quem controla o presente controla o passado”, George Orwell adiantou.

A relativização da verdade é a mais engenhosa ameaça de todos os tempos. Encarcera o pensamento, devasta o imaginário e esteriliza a razão. Um precipício a 1984.

Sobre o Colunista

Allan Dos Santos

Pai, empresário, jornalista, correspondente internacional, apresentador e cofundador do canal Terça Livre TV.

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