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O que a Rede Globo não disse sobre o relatório da PGR



O final de semana foi de propaganda gratuita para o Terça Livre nos telejornais da Rede Globo. A emissora dedicou pelo menos 25 minutos da sua programação para apresentar informações sobre o relatório da Polícia Federal, que foi aberto em abril do ano passado, para apurar a organização e o eventual financiamento dos chamados “atos antidemocráticos”.

O relatório, no entanto, deve ser encerrado.

Na sexta-feira (4), a Procuradoria Geral da República (PGR) enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de arquivamento do inquérito, afirmando que não foi possível encontrar provas suficientes da participação de parlamentares em crimes que violam a Lei de Segurança Nacional. Além disso, outros seis casos seriam encaminhados para a 1ª instância, pois envolvem pessoas sem prerrogativa de foro.

O que diz o relatório da PGR sobre o arquivamento a investigação policial

O pedido de arquivamento foi assinado pelo vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal. No documento, Jacques alega que a investigação está comprometida. “Pode ter faltado foco e objetividade à autoridade policial na construção das hipóteses criminais, tornando-as de difícil compreensão para as equipes envolvidas com o inquérito”, afirma o vice-procurador.

A PGR argumenta que a Policia Federal conduziu a investigação de forma desorganizada e que ao longo da persecução penal houve inovação da linha investigatória traçada. “[As investigações] afastavam-se do foco da apuração sobre a existência de organização criminosa por trás de atos antidemocráticos, inovando em linha investigativa sobre a possibilidade de financiamento público de sítios cujos responsáveis figurariam como suspeitos”, além disso “ a investigação, que era restrita inicialmente a abril e maio, passou a compreender os seis primeiros meses de 2020 e todo o ano de 2019” afirma o documento.

Outro argumento apresentado pelo Ministério Público Federal, para o arquivamento das ações, é que “os fatos que deram origem a essa linha investigativa potencialmente inidônea versam situação que, em si, não possui qualquer relevância penal. Prova disso é que o especial fim de agir aventado pela autoridade policial na enunciação, a obtenção de ‘vantagens político-partidárias’, sequer é considerada uma prática ilícita pela legislação penal”.

Vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques encerra o documento lembrando que a investigação teve tempo suficiente para formulação de uma denúncia concreta, o que de fato não aconteceu. “Acreditava-se que seis meses serviriam para uma extensa e percuciente exploração do conjunto arrecadado. O que se viu, no entanto, foi o envio de um emaranhado de atos dispersos e repetidos em dezenas de apensos e anexos, sem um mínimo de sistematização, prejudicando, assim, a atuação célere deste órgão do Ministério Público Federal, que se viu forçado a dedicar pessoal e significativa parte do tempo que deveriam ser utilizados na apreciação de outros inquéritos ao saneamento deste”, argumentou.

O que Allan dos Santos diz

Em uma edição especial do Boletim da Noite deste sábado (5), o jornalista Allan do Santos comentou as reportagens vinculadas pela TV Globo que trataram dos inquéritos sobre os “ditos atos antidemocráticos” como afirma Allan. O inquérito foi aberto em abril do ano passado a pedido da Procuradoria Geral da República (PGR) e autorizado pelo Ministro Alexandre de Moraes.

Durante a reportagem do Jornal Nacional, foi exibido um bilhete com as seguintes informações “Objetivo: materializar a ira popular contra os governadores/prefeitos. Fim intermediário: saiam às ruas. Fim último: derrubar os governadores/prefeitos”. O bilhete é atribuído a Allan, que confirmou a autoria e perguntou: “você que assiste o Terça Livre, tem alguma coisa aqui que eu nunca disse ao vivo?”.

Nas reportagens, a Globo também apresenta informações em que o jornalista Allan dos Santos teria convidado o Deputado Federal Carlos Jordy para uma transmissão no Canal e que o assunto seria “bater no Maia” (Rodrigo Maia), Allan admite a afirmação. “Eu não falava, na época, temos que bater no Maia? A pergunta que não quer calar? Qual a novidade aqui que não está ao vivo? Isso aqui é medo porque estamos fazendo uma campanha e estamos com um estúdio em Brasília?  Vejam que eles voltaram a atacar o Terça Livre exatamente no momento que nós estamos inaugurando o nosso estúdio novo em Brasília. […] Isso é para pressionar a burocracia do estado para que o Terça Livre não tenha uma TV ou é para minar as pessoas que gostariam de assinar o Terça Livre Juntos e poder fazer o Terça chegar na TV?” questionou Allan.

 

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