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O significado das palavras foi perdido, analisa Italo Lorenzon



O analista político Italo Lorenzon, durante o Boletim da Noite de quinta-feira (10), analisou a atual lógica revolucionária vigente, sobretudo na questão do inquérito inconstitucional dos “atos antidemocráticos”. Segundo Lorenzon, o significado das palavras foi perdido e isso gerou graves consequências.

“O problema é que nós não vivemos em uma situação de normalidade jurídica, em uma situação de normalidade o inquérito nem começaria, para início de conversa”, pontuou o analista político ao se referir ao inquérito dos “atos antidemocráticos”.

“Usar a linguagem para significar aquilo que é o inverso do que é a realidade é a especialidade dos revolucionários”, apontou Lorenzon.

“Percebemos que o Alexandre de Moraes trabalha com aquilo como se realmente fosse a realidade em si. Quando ele chama aquilo de atos antidemocráticos, ele está dizendo o seguinte: ‘Isto aqui me incomoda’. E, como bom revolucionário que acredita ser a personificação da democracia […], quem está contra ele, na verdade, não é povo, deixa de ser povo. É a lógica invertida do revolucionário”, apontou Lorenzon.

“[Agora], é ele quem constitui o povo, ele que dirá quem é o povo, porque, no fundo, é isso que está acontecendo. Existe uma manifestação de pessoas e ele está dizendo: ‘eu tenho direito de pegar esses milhões de pessoas e dizer que eles não são o povo'”, ressaltou o analista político.

Segundo Italo Lorenzon, o ministro Alexandre de Moraes, com suas ações em seu poder constituinte, vem delimitando o que é o povo. Além disso, tais atitudes passam a ser a própria inversão revolucionária da linguagem. 

“É por isso que eu e o Allan dos Santos falamos muito aqui no Terça Livre que, na base de tudo isso, o problema de aborto, de ideologia de gênero, de política, de voto impresso auditável, do Foro de São Paulo, na base de tudo isso está o problema de linguagem, as palavras deixaram de significar alguma coisa, a relação entre o termo, o conceito e a realidade se perdeu”, ressaltou o analista político.

“A relação entre o signo, significado e o significante se perdeu, as pessoas não conseguem mais fazer isso. Elas não conseguem mais olhar para um texto e se perguntar o que ele significa na realidade, ela pode até ter um entendimento gramatical razoável – é raro, mas é possível -, mas ela não consegue pegar aquilo que leu e relacionar com algo da realidade. É por isso que muita gente quando vê isso, ‘atos antidemocráticos’, ela não consegue unir as coisas, não tem como ser antidemocrático, você pode até discordar, mas o ato em si não tem como ser antidemocrático”, concluiu Italo Lorenzon.

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Sobre o Colunista

Brehnno Galgane

Graduando em Filosofia pela PUC-Rio, Católico e cultivador de uma narrativa que tenha sentido segundo a forma humana.

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