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Odebrecht nunca foi impedida de operar no Brasil, já o Terça Livre…



Nem mesmo o maior escândalo de corrupção do Brasil impediu que a Odebrecht continuasse operando. Foram meses de investigações até que a Lava Jato chegou ao esquema de corrupção que unia as principais construtoras do país à Petrobras.

O ex-presidente da empresa e herdeiro do grupo, Marcelo Odebrecht, foi preso em 2015. Em março de 2016, foi condenado a 19 anos e quatro meses de prisão.

As acusações? Corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Odebrecht foi considerado o mandante de pagamentos de US$ 35 milhões e quase R$ 110 milhões de propina a funcionários da Petrobras. Até mesmo o nome do ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, foi envolvido no esquema.

Traçando um paralelo com os dias atuais, a empresa jornalística Terça Livre, investigada em inquéritos considerados ilegais — segundo vários juristas, como Rogério Grecco, Thaméa Danelon e Ludmila Lins Grillo — tem suas atividades impedidas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Leia também: Thaméa Danelon lista motivos que tornam inquérito do STF ilegal e inconstitucional

Uma das investigações contra o Terça Livre é por suposto “crime de fake news”, que sequer é tipificado no código penal brasileiro. O “inquérito das fake news” foi aberto em 2019.

No ano seguinte, Alexandre de Moraes criou o chamado “inquérito dos atos antidemocráticos”, em que ele mesmo é vítima, investigador e acusador. Os anos passaram, buscas, apreensões e quebras de sigilo foram diligenciadas. Nada foi encontrado.

Então, mais um inquérito foi aberto: o “inquérito das milícias digitais”. Novamente, o Terça Livre foi incluído. O jornalista Allan dos Santos, que é um dos fundadores da empresa, é o principal alvo da perseguição.

Em meio às investigações que até o momento se mostraram inconclusivas sobre possíveis crimes cometidos, o Terça Livre e o Allan dos Santos viram suas contas nas redes sociais bloqueadas diversas vezes.

Quando a Suprema Corte concluiu que a empresa não recebe dinheiro público, encontrou uma forma certeira de atingir sua principal forma de manutenção, a monetização no Youtube.

Uma decisão do TSE mandou que as gigantes de comunicação, que controlam as redes sociais, suspendessem a monetização de canais investigados nos inquéritos. A decisão vale até mesmo para a rede social americana Gettr, que sequer monetiza perfis na plataforma.

Os donos do Terça Livre nunca foram presos ou indiciados. Mesmo assim, veem as atividades de sua empresa serem tolhidas por ordem judicial. A  Odebrecht, por outro lado, nunca foi proibida de operar. Os anos se passaram e a empresa continua crescendo e lucrando no país sem nenhum impedimento, mesmo sob o peso e a mancha das acusações da Lava Jato.

A construtora, inclusive, anunciou no começo deste ano que prevê quase quintuplicar o volume de obras nos próximos 2 anos.

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