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Omar Aziz quer acionar Interpol contra Carlos Wizard

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado


O presidente da CPI da Covid, o senador Omar Aziz (PSD-AM) disse que vai pedir ajuda da Interpol para localizar Carlos Wizard. As informações foram publicadas pela Folha de S. Paulo neste domingo (20). 

O empresário é apontado pelos senadores como um dos líderes do suposto “gabinete paralelo” do presidente Jair Bolsonaro, narrativa criada por políticos da oposição e encampada pela velha mídia.

Wizard foi convocado para prestar depoimento à CPI na última quinta-feira, mas não compareceu. Os advogados do empresário já haviam avisado que ele está nos Estados Unidos desde abril e pediram que o empresário depusesse por meio de videochamada. O pedido foi negado.

Omar Aziz disse ao jornal Folha de São Paulo que Wizard está em local “incerto e não sabido”. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso autorizou a condução coercitiva de Wizard caso não compareça novamente para depor. 

Além disso, Aziz pediu à Polícia Federal a retenção do passaporte do empresário quando chegar ao Brasil, sendo devolvido somente após a oitiva na CPI. 

Ao contrário do empresário, o senador é alvo da operação “Maus Caminhos”, deflagrada em 2016 pelo Ministério Público Federal (MPF). Omar Aziz está com seu passaporte retido desde 2019. 

Em um relatório de 275 páginas, o presidente da CPI da Covid é citado 256 vezes por desvios na Saúde quando foi governador do Amazonas.

O senador que investiga o mau uso de recursos públicos na pandemia teria desviado R$ 260 milhões em verbas públicas por meio de contratos milionários.  

Consta nos autos da investigação que até hoje o senador está com bens bloqueados e com passaporte retido. A esposa do senador e seus irmãos chegaram a ser presos na mesma investigação. Leia mais.

Para o analista político Carlos Dias, Carlos Wizard já foi pré-julgado. “Gostaria de ver se a ordem judicial se estende aos Estados Unidos. Mandem buscá-lo. É algo fora do comum, impressionante. O sujeito tem uma agenda própria, ele não responde a processo nenhum, ele pode viajar pelo mundo inteiro, pode circular até mesmo dentro do Brasil, e uma CPI diz que ele formou um gabinete paralelo, não tem uma exibição de provas e vai ao Supremo Tribunal Federal pedir a condução coercitiva?”, indagou.

“Os advogados o representaram dizendo que ele estava nos Estados Unidos e que poderia se manifestar através de videoconferência, o que seria muito natural. Quer dizer, então que ele vai ter que pagar uma passagem, largar o que está fazendo lá, para sentar em uma CPI como testemunha, como convidado e agora como investigado por questões posteriores a essas atitudes impensadas –  totalmente inconstitucionais, apesar da própria decisão do ministro Barroso – dos senadores?  Ele é obrigado a largar tudo para vir aqui satisfazer os caprichos dessas pessoas que estão conduzindo essa  CPI?”, continuou Carlos Dias. 

De acordo com ele, a CPI está indo longe demais e os senadores se tornando donos das pessoas. “Eles agora podem definir quais são as agendas, podem interromper seminários de negócios, atividades pessoais e familiares de um empresário? Eles têm esse poder? Vão chegar na sua casa e dizer que imediatamente você se dirija à CPI? É esse o Estado Democrático de Direito de que eles tanto falam?”.

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