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Renan Calheiros fala de holocausto e Confederação Israelita fala em desrespeito



O relator da CPI da Covid, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), durante a sessão desta terça-feira (25), comentou sobre a lealdade de Hermann Göring a Adolf Hitler. O parlamentar também falou sobre o genocídio dos judeus, apontando semelhanças com a situação da pandemia no Brasil. Em resposta, Confederação Israelita repudiou a fala do senador.

O relator da CPI, durante depoimento da secretária da Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, comparou o papel da CPI às funções do Tribunal de Nuremberg – corte responsável por julgar o alto escalão nazista pelos crimes contra a humanidade.

“Nuremberg reuniu e puniu inúmeros próceres nazistas e, até hoje, há questionamentos sobre o próprio julgamento. Por exemplo, se não foi apenas um julgamento dos vencedores ou se a sentença de pena de morte pelos crimes cometidos deveria ter sido apenas uma pena de prisão. Estes são balizadores importantes”, disse Calheiros.

“Não podemos dizer ainda que no Brasil ocorreu um genocídio, mas podemos afirmar sim que há semelhanças assustadoras, terríveis, tenebrosas e perturbadoras no comportamento de algumas autoridades que testemunharam aqui na CPI o relato que acabei de ler sobre um dos marechais do nazismo no Tribunal de Nuremberg – negando tudo, enaltecendo Hitler e apresentando-se como salvadores da pátria, enquanto a história provou que faziam parte de uma máquina da morte”, acrescentou o relator.

Durante a declaração de Calheiros, alguns senadores, como Fernando Bezerra (MDB), Marcos Rogério (DEM), Luis Carlos Heinze (PP) e Flávio Bolsonaro (Republicanos), se posicionaram contra. O presidente da comissão, Omar Aziz (PSD), precisou intervir na confusão e pedir que Calheiros prosseguisse sua fala sem traçar paralelos com o Tribunal de Nuremberg.

Em um comunicado oficial, a Confederação Israelita do Brasil (Conib) repudiou a fala de Renan Calheiros e declarou que “essas comparações, muitas vezes com fins políticos, são um desrespeito à memória das vítimas do Holocausto e de seus descendentes”, diz a nota, classificando ainda a fala do senador como “completamente indevida”.

“A Conib inclusive criou uma campanha contra a banalização do Holocausto, para que possamos compreender melhor as verdadeiras dimensões dos fatos e assim contribuir para um melhor entendimento do presente. Assistam e compartilhem”, diz trecho da nota.

Renan Calheiros também chegou a escrever uma resposta à Conib, repetindo e reforçando a imputação aos depoentes.

“Em nenhum momento eu comparei o holocausto à pandemia. O holocausto é incomparável. Mas é assustadoramente comparável à atitude de negação dos oficiais nazistas e de algumas autoridades que depuseram aqui nesta Comissão Parlamentar de Inquérito. Se houver comparação a comparação é esta. Não do holocausto com a pandemia”, escreveu o senador, que atualmente é alvo de ao menos 17 inquéritos por corrupção.

Sobre o Colunista

Brehnno Galgane

Graduando em Filosofia pela PUC-Rio, Católico e cultivador de uma narrativa que tenha sentido segundo a forma humana.

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