fbpx

Renan Calheiros usa vítimas da Covid-19 para criticar suposta intimidação

Pedro França/Agência Senado


Durante a abertura da reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia da última quinta-feira (13), o relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL), decidiu discursar sobre a importância da investigação, dizendo que o objetivo dos senadores é averiguar responsabilidades, sem se intimidar.

O senador por Alagoas aproveitou seu lugar de fala na Comissão para voltar a criticar o ex-secretário de Comunicação da Presidência da República, Fabio Wajngarten, declarando novamente que o depoente mentiu perante os senadores e cometeu crime de falso testemunho na sessão de quarta-feira (12). 

Conforme o Terça Livre noticiou, o relator ameaçou o ex-secretário de prisão em flagrante durante o depoimento.

Renan Calheiros também criticou o senador Flávio Bolsonaro, afirmando que sua atitude constituiu “um dos maiores desacatos a uma comissão parlamentar de inquérito da história do Congresso Nacional, em particular do Senado.”

Também na sessão da quarta-feira, Flávio foi até a CPI para rebater as ameaças e abuso de autoridade do senador Calheiros a Fabio Wajngarten.

Em sua fala nesta quinta-feira, o senador Renan Calheiros usou as vítimas da Covid-19 no país como argumento para criticar a suposta intimidação que ele alegou sofrer, ao considerar “ofensiva” a postura do senador Bolsonaro, que o acusou de estar usando a comissão como “palanque”. 

“Quero dizer a todos os pregadores do ódio que, ao final da sessão, nós vimos que o filho do presidente da República, que sequer é membro desta CPI, veio aqui numa missão de fazer a única coisa possível: ofender e escrachar. Quero dizer a esses pregadores que minha resposta a todos esses ataques é esse número aqui, de 428.256 vítimas da pandemia”, disse Renan. 

Renan criticou ainda a viagem do presidente da República, Jair Bolsonaro, a Alagoas, para inaugurar obras de seu governo.

Para o senador, a viagem que evidencia o trabalho do presidente Jair Bolsonaro e seus ministros, é “uma evidente provocação”  à CPI, e que a resposta será aprofundar a investigação.

O assunto esteve na pauta do Boletim da Noite dessa quinta-feira (13).

Ao comentar as declarações de Renan Calheiros o analista político Italo Lorenzon questionou o uso da CPI como instrumento politico de resposta aos “ataques” pessoais que o relator diz sofrer.

“Vamos por partes. Então, duas coisas: primeiro, como é que a resposta aos ataques pessoais ao senhor é o número de mortes? O que o número de mortes tem a ver com a reputação do senhor (Renan Calheiros)? Se isso não é custo político da morte das pessoas, eu não sei o que é”, pontuou.

“Segundo: então, quer dizer que uma provocação pessoal contra o senhor vai ter como resposta o uso da CPI? É o que o senador falou, que foi uma evidente provocação contra sua pessoa, né, a ida do Bolsonaro ao Alagoas, ainda que tenha sido. A resposta disso vai ser aprofundamento das investigações? As investigações, em tese, já têm que ser as mais profundas possíveis, independente de uma provocação ou não provocação. Se isso também não é o uso político panfletário da CPI, eu não sei o que é”, concluiu Lorenzon.

ASSISTA AO BOLETIM DA NOITE DESSA QUINTA-FEIRA (13):

Colunistas

avatar for Juliana GurgelJuliana Gurgel

Católica, produtora, doutora em artes da cena, professora e aikidoista.

avatar for Paulo FernandoPaulo Fernando

Advogado, professor de Direito Constitucional e Eleitoral para concu...

avatar for Polibio BragaPolibio Braga

Políbio Braga é um jornalista e escritor brasileiro. Nascido em S...

Achou algum erro na matéria? Nos informe através do formulário abaixo: