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Rússia: Navalny perde ação contra prisão e ainda é multado por calúnia



O crítico do presidente Vladimir Putin, Alexei Navalny, perdeu neste sábado (20) um processo de recurso contra a decisão politicamente motivada da justiça russa de prendê-lo por quase três anos.

Além da perda no recurso o opositor de Putin foi considerado culpado pelo crime de calúnia e multado em outro caso.

A dupla derrota legal já era prevista por seus apoiadores.

Após a decisão de hoje, Navalny deve ser transferido de uma prisão em Moscou para um campo de prisioneiros fora da capital, informou a Agência Reuters.

Em um discurso ao tribunal, o político disse que sua fé em Deus e a crença na justiça de sua causa o estavam sustentando.

“Nosso país foi construído com base na injustiça. Mas dezenas de milhões de pessoas querem a verdade. E mais cedo ou mais tarde elas vão conseguir”, afirmou ele.

Navalny disse ainda que não se arrependia de voltar para a Rússia e que “sua força estava na verdade”.

O opositor voltou à Rússia no mês passado, após ficar ‘exilado’ na Alemanha, onde se recuperava de um envenenamento que quase o matou em agosto de 2020.

Ele foi preso no dia 17 de janeiro por “violações da liberdade condicional”, conforme o Terça Livre noticiou.

Diversos países condenaram a ação do governo de Putin e estão discutindo possíveis sanções à Rússia.

Neste sábado um tribunal de Moscou rejeitou o apelo de Navalny, mas reduziu sua sentença de prisão original em seis semanas.

Alexei Navalny respondeu sarcasticamente à decisão. “Eles reduziram a pena em 1-1 / 2 meses. Excelente!” ele disse de uma gaiola de vidro do tribunal.

Os aliados de Navalny criticaram a decisão.

“A decisão do tribunal de manter Alexei na prisão diz apenas uma coisa. Não há lei na Rússia no momento”, escreveu no Twitter uma equipe da Navalny’s Anti-Corruption Foundation, que investiga a “corrupção oficial” na Rússia.

Navalny argumentou que “infringir” a ordem ilegal de prisão, pois estava se tratando após seu envenenamento, em um hospital na Alemanha.

“Não quero me exibir muito, mas o mundo inteiro sabia onde eu estava”, disse Navalny ao juiz.

O ministro das Relações Exteriores da Letônia, Edgars Rinkevics, disse no Twitter que a decisão do tribunal estava em desacordo com um apelo do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos esta semana para libertar Navalny e poderia levar a mais sanções contra Moscou.

Solicitado a comentar sobre o futuro político de Navalny após a decisão do tribunal, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse aos repórteres que o assunto ‘não era da conta’ do governo.

Além do mantimento da prisão, o tribunal de Moscou multou o líder da oposição em 850.000 rublos (cerca de 11.500 dólares).

Ele foi acusado de difamar um veterano da Segunda Guerra Mundial que participou de um vídeo promocional em apoio às reformas constitucionais em 2020.

O vídeo foi usado para permitir que Putin concorresse a mais dois mandatos no Kremlin após 2024.

Navalny descreveu as pessoas no vídeo como traidores e lacaios corruptos. O político argumentou que seus comentários não eram dirigidos especificamente contra o veterano e que as autoridades estavam usando a acusação para manchar sua reputação.

“Você vai queimar no Inferno por tudo isso”, declarou ele durante o julgamento.

A prisão de Navalny gerou protestos de rua em todo o país na Rússia, mas seus aliados – a maioria dos quais estão em prisão domiciliar ou no exterior – declararam agora uma suspensão para prepararem grandes manifestações até a primavera.

Navalny acusa Putin de ordenar sua tentativa de homicídio. Putin já declarou não ser culpado, alegando que o opositor faz parte de uma campanha de “truques sujos” apoiada pelos EUA para desacreditá-lo.

Agência Reuters.

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