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Roque de Sá/Agência Brasil

Senadora Soraya Thronicke elogiou o modelo econômico chinês e colaborou com a aprovação da lei sobre feminicídio, bandeira progressista



 

Na última quinta-feira (30) na sessão Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia que inquiriu o empresário Otávio Fackhoury, a senadora Soraya Thronicke (PSL-MS) quis dar uma lição de conservadorismo e direitismo ao presidente do PTB em São Paulo. Contudo, em alguns momentos a congressista tomou ações que não condizem com o que se esperaria de uma parlamentar à direita no Senado.

“Todos nós fomos eleitos, juntamente com o presidente Bolsonaro, empunhando as bandeiras anticorrupção, conservadorismo, economia liberal, Estado mínimo… […] E hoje o que nós vemos dessas pessoas que empunharam conosco essas bandeiras é tudo, menos um cartaz, uma postagem sobre combate à corrupção, liberdade econômica, a gente não vê isso. […] Eu olhei as redes sociais de vossa senhoria e são só críticas, e críticas e críticas, o senhor não traz nenhuma solução para os problemas”, disse a senadora em parte de sua fala ao empresário.

No início de 2019, ela integrou uma comitiva de parlamentares em visita à China. Na ocasião, todos receberam muitas críticas de eleitores, influenciadores e jornalistas conservadores. A principal e mais proeminente voz a alertar para o erro foi o filósofo Olavo de Carvalho. A senadora, no entanto, não gostou e chegou a publicar no Twitter uma resposta indireta ao professor compartilhando juntamente com a frase “Diretamente da China Parlamentares caipiras mostram o mínimo que você precisa saber para não ser um idiota” uma reportagem dizendo que os governos brasileiro e chinês tentavam estreitar relações.

Ademais, para além de apenas visitar o país, a senadora, eleita com votos de conservadores, fez elogios à economia socialista altamente estatizada da China durante um evento no Palácio do Planalto onde o presidente Jair Bolsonaro sancionou a Lei de Liberdade Econômica, em 2019. Na ocasião, a parlamentar disse que a abertura da economia chinesa era “um projeto de Estado, e não de governo”. No entanto, com o recente colapso da gigante Evergrande, o mundo voltou a se lembrar dos prédios vazios construídos ao redor das cidades chinesas, frutos de problemas estruturais de uma economia baseada no planejamento central.

Ao receber críticas, na época, Thronicke chegou a cobrar do então Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, um posicionamento a fim de afirmar a validade da caravana dos políticos até o país asiático. Vale destacar que um dos pontos-chave da visita à China envolvia a tecnologia de reconhecimento facial, mecanismo que é usado como ferramenta de controle da população pela ditadura comunista chinesa, além do risco envolvido que poderia culminar em vazamento e roubo de informações confidenciais do Brasil aos chineses.

Outro ponto que chama a atenção na atuação da senadora, que deu uma lição de direitismo em Fakhoury, é sua colaboração para aprovação de uma lei em 2019 que instituiu o feminicídio como crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão. É sabido dos conservadores que a pauta de gênero é bandeira cara à esquerda, seja no âmbito de LGBTs ou na dita ‘misoginia’, que procura dividir a sociedade em vários grupos. Vale frisar que na consulta pública, disponível no site do Senado Federal, a proposição saiu derrotada por 232 a 61. Contudo, aprovada, a lei foi encaminhada à Câmara dos Deputados.

Sobre o Colunista

Italo Toni Bianchi

Ítalo Toni Bianchi, membro do Movimento Conservador, bacharel em teologia pelo Seminário Teológico Batista Nacional Enéas Tognini. Músico percussionista, leitor, preletor e jornalista do portal Terça Livre.

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