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‘Servidores do ICMBio buscam com todas as forças tirar o Cristo da Igreja Católica’, diz Arquidiocese do Rio



 

Após o reitor do Santuário Cristo Redentor, padre Omar Raposo, ser impedido de ingressar na guarita de entrada Parque Nacional da Tijuca no último dia 11 para ter acesso à capela do Cristo Redentor onde celebraria um batizado, a Arquidiocese do Rio de Janeiro se pronunciou repudiando as ações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O instituto administra o parque e tem um histórico de perseguição ao santuário e seus funcionários.

No dia 3 de setembro, o órgão ambiental quis impedir uma missa no Cristo com a justificativa de que a solicitação apresentava um “aspecto de cunho religioso não relacionado diretamente às práticas e ritos sacramentais católicos”.

De acordo com o ICMBio, outro motivo do impedimento seria a realização de um café da manhã para 20 pessoas. Como o reitor se negou a acatar a decisão do instituto e subiu para celebrar a missa, a van onde se encontravam alimentos para um café da manhã aos convidados – uma vez que não há restaurantes em funcionamento no local – foi inspecionada pelos seguranças, que não permitiram que água pudesse ser levada.

“Houve um claro desrespeito ao direito fundamental à saúde e bem-estar dos presentes, além da tentativa de impedimento da realização da celebração religiosa” afirma a Arquidiocese do Rio.

De acordo com a arquidiocese, a intenção de vários movimentos no Brasil é dessacralizar o Cristo Redentor para torná-lo um simples objeto de atração turística.

“O ICMBio tem como nobre missão salvaguardar a preservação das unidades de conservação de nosso país. Entretanto, há décadas o instituto está servindo de manobra para perseguir a Santuário Cristo Redentor e busca com todas as forças tirar o Cristo da Igreja Católica”, diz a arquidiocese.

Ainda segundo a arquidiocese, o ICMBio não reconhece a titularidade da Igreja Católica como possuidora do Alto Corcovado, onde o monumento está erigido. Além disso, os membros do santuário sofrem constantemente para ter acesso ao local.

“O ICMBio busca de todas as formas embaraçar o acesso e aos poucos tomando de assalto a área que integra o Santuário”, ressalta a arquidiocese.

Recentemente, o instituto tentou tirar a posse de uma das lojas que pertence ao santuário – doada por uma antiga proprietária à arquidiocese – que serve de apoio para as celebrações litúrgicas, já que a capela não possui sacristia.

“Foram colocados seguranças privados contratados pelo ICMBio para abordar quem tentasse entrar na casa. Funcionários entravam na casa com materiais litúrgicos e os seguranças os abordavam para inspecionar o que estavam portando. Um verdadeiro absurdo”, continua a arquidiocese.

Depois que a lavratura de escritura de doação da propriedade para a Igreja Católica, o ICMBio determinou que a subida de funcionários do santuário para transporte de objetos litúrgicos e manutenção deveria ser comunicada com 24 horas de antecedência por meio de envio de e-mail.

Segundo a arquidiocese, “tal determinação desrespeita decisão judicial transitada em julgado em que assegura a servidão de passagem da Arquidiocese do Rio de Janeiro e desrespeita expressamente o Termo de Compromisso firmado entre o ICMBio e Arquidiocese do Rio de Janeiro que prevê que não cabe a nenhuma das partes impor quaisquer tipos de sanções sem que antes seja dada a oportunidade dos devidos esclarecimentos”.

Na segunda-feira (13), o advogado da arquidiocese Rodrigo de Souza e Silva registrou ocorrência na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância sobre o fato ocorrido no sábado, quando o padre Omar foi impedido de celebrar o batizado.

A diretora jurídica e advogada da Arquidiocese do Rio de Janeiro, Claudine Milione Dutra, esteve com o presidente do ICMBio, Fernando Lorencini, após o ocorrido.

“Estive com a presidência do ICMBio logo após o ato de intolerância praticado e solicitei abertura de procedimento interno para apuração de responsabilidade”, disse a advogada.

“Servidores do ICMBio, no Parque Nacional da Tijuca, vêm reiteradamente obstaculizando a realização de cerimonias religiosas no Cristo Redentor”, afirmou também Claudine.

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