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Tensão entre Rússia e Ucrânia ‘tem potencial para se transformar em guerra europeia ou mundial’, diz militar russo



Uma guerra europeia ou até mesmo mundial pode ocorrer dentro de quatro semanas na Ucrânia após a Rússia ter despachado na última semana milhares de soldados à fronteira disputada com o país vizinho.

O alerta é de Pavel Felgenhauer, analista militar russo independente. Em entrevista ao canal de notícias Rosbalt, da Rússia, Felgenhauer disse que, diante do aumento das tensões, “só um psicanalista” poderia identificar quais as intenções da Rússia na Ucrânia, mas alertou que os eventos podem “levar à guerra” dentro de um mês.

Questionado sobre por que a Rússia pode estar pressionando por um conflito agora, Felgenhauer ironizou: “Dirija esta pergunta a um psicanalista. Eu preciso explicar? Os fatos estão aí, tudo já está acontecendo”. A entrevista foi reproduzida pelo Daily Mail no último sábado (3).

Imagens que circulam nas redes sociais mostram uma grande movimentação de militares nas regiões próximas ao leste da Ucrânia e na Crimeia. O Ocidente alertou sobre o movimento de tropas e forças por Moscou, e Felgenhauer diz que eles estão certos em se preocupar, pois novas imagens parecem mostrar movimentos militares nas regiões russas de Voronezh, Rostov e Krasnodar, junto com as principais rotas ferroviárias.

“A crise tem o potencial de se transformar em uma guerra pan-europeia, se não mundial”, alertou. “Mas, por enquanto, potencial. Isso vai acontecer ou não? Vamos esperar e ver. No Ocidente, eles não sabem o que fazer a respeito”, acrescentou.

O Kremlin prometeu “tomar medidas extras” se a Otan enviar forças para a Ucrânia. “Sem dúvida, tal cenário levaria a um novo aumento nas tensões perto das fronteiras da Rússia. Claro, isso exigiria medidas adicionais do lado russo para garantir sua segurança”, disse o porta-voz do Kremlin Dmitry Peskov a repórteres.

O porta-voz insistiu, no entanto, que a Rússia “não estava ameaçando” a Ucrânia, apesar de uma declaração anterior que advertia que uma guerra em Donbass iria “destruir” o país vizinho.

Surgiram imagens mostrando dezenas de helicópteros militares perto da fronteira e o movimento de tanques e outros veículos militares. Os Estados Unidos prometeram seu apoio “incondicional” à Ucrânia na quinta-feira passada, quando oficiais de defesa disseram estar cientes de milhares de soldados recém-enviados para o território separatista de Donbass, que é controlado por facções pró-Moscou.

Felgenhauer afirmou que todas as condições poderiam estar reunidas no início de maio, quando a Rússia realizará um grande desfile na Praça Vermelha para marcar o aniversário da vitória na Segunda Guerra Mundial. O militar suspeita que uma “decisão já foi tomada”.

De acordo com Felgenhauer, os fatores que levaram a Rússia a tomar terras da Ucrânia foram o fechamento de canais de TV pró-russos na Ucrânia, a ameaça de prisão, o julgamento do político ucraniano Viktor Medvedchyuk, a prisão de Alexei Navalny e o presidente americano Joe Biden chamando Putin de assassino.

“As ameaças estão crescendo e rapidamente. Muito não se fala na mídia, mas estamos vendo sinais muito ruins”, disse o militar. Na terceira semana de março, três grandes navios de desembarque da Frota Báltica russa passaram ao sul pelo Canal da Mancha, acompanhados por uma corveta.

“Haverá dez unidades de combate no total, além de pequenas tropas aerotransportadas”, disse ele. “Você pode coletar até duas divisões, levando em consideração a força aérea”. A Rússia pode estar planejando um “pouso ao estilo da Normandia” entre Odessa e Mykolaiv, afirmou Felgenhauer.

Putin tem grandes forças no leste da Ucrânia, que caiu sob seu domínio em 2014, e na Crimeia, que foi ocupada pelo Kremlin. “Obviamente, uma grande operação está sendo preparada e outras forças serão trazidas também. Todo mundo está falando sobre uma possível invasão de tanques de Belgorod através de Kharkiv na direção de Zaporizhia para cercar as forças ucranianas na margem esquerda do Donbass”, afirma.

Putin pode “isolar a Ucrânia do mar, criar [um novo estado rebelde de] Novorossiya, por exemplo”, ou então fazer uma pausa e começar a ditar os termos ao Ocidente, sugeriu Felgenhauer.

Ou então, de acordo com ele, a Rússia poderia tentar estender seu controle devorando a Ucrânia até a Transnístria, um “estado não oficial”, controlado por Moscou, com seu próprio serviço secreto da KGB.

Felgenhauer previu que as reações esperadas do Ocidente a tais movimentos eram “obscuras”. “Alguns [no Ocidente] dizem que os russos não devem ser provocados e a intervenção militar é muito arriscada. Outros, ao contrário, são a favor da unificação (da Rússia e da Ucrânia) e do confronto aberto, porque assim será possível negociar com a Rússia”.

A Ucrânia alega que a Rússia tem 32 mil soldados na Crimeia e comanda 28 mil soldados separatistas no leste da Ucrânia, controlado pelos rebeldes. “Apesar de forças inimigas significativas, o exército ucraniano está preparado para todos os cenários potenciais”, disse Ruslan Khomchak, o comandante-em-chefe ucraniano.

O porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, defendeu o movimento das tropas em direção às áreas de fronteira. “A Federação Russa move tropas dentro de seu próprio território a seu próprio critério”, disse ele.

Internautas registraram a movimentação das tropas na Ucrânia

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