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Twitter se recusou a remover pornografia infantil porque não ‘violava as políticas da plataforma’



Na última quarta-feira (20), a empresa de tecnologia Twitter se recusou a retirar imagens pornográficas e vídeos amplamente compartilhados de um adolescente vítima de tráfico sexual porque, após uma suposta investigação, a plataforma “não encontrou uma violação” das “políticas” da empresa. A vítima e sua mãe abriram um processo federal no Distrito Norte da Califórnia.

No processo, a vítima e a mãe alegam que o Twitter ganhou dinheiro com os vídeos, nos quais mostraram um adolescente de 13 anos envolvido em atos sexuais, configurando, assim, material de abuso sexual infantil.

O adolescente – que agora tem 17 anos e mora na Flórida – é identificado apenas como John Doe e tinha entre 13 e 14 anos quando traficantes sexuais,  passando-se por uma colega de classe de 16 anos, começaram a conversar com ele no Snapchat, alega o processo.

Doe e os traficantes supostamente trocaram fotos nuas antes que a conversa se transformasse em chantagem: se o adolescente não compartilhasse mais fotos e vídeos sexualmente gráficos, o material explícito que ele já enviou seria compartilhado com seus “pais, treinador, pastor” e outros.

Doe, agindo sob coação, inicialmente obedeceu e enviou vídeos de si mesmo realizando atos sexuais e também foi instruído a incluir outra criança em seus vídeos, o que ele fez, afirma o processo.

Eventualmente, Doe bloqueou os traficantes e eles pararam de assediá-lo, mas em algum momento de 2019, os vídeos apareceram no Twitter em duas contas que eram conhecidas por compartilhar material de abuso sexual infantil, alegam documentos do tribunal.

Enquanto os pais de Doe contatavam a escola e faziam relatórios policiais, Doe registrou uma queixa no Twitter, dizendo haver dois tuítes mostrando pornografia infantil dele mesmo, e eles precisavam ser removidos porque eram ilegais, prejudiciais e violavam as políticas do site.

Um agente de apoio acompanhou e pediu uma cópia da identidade de Doe para que pudessem provar ser ele e, depois que o adolescente concordou, não houve resposta por uma semana, afirma a família.

Na mesma época, a mãe de Doe entrou com duas reclamações no Twitter relatando o mesmo material e, por uma semana, ela também não recebeu resposta.

Finalmente, em 28 de janeiro, o Twitter respondeu a Doe e disse que não retirariam o material, que já havia acumulado mais de 167 mil visualizações e 2.223 retuítes.

“Agradecemos seu contato. Revisamos o conteúdo e não encontramos nenhuma violação de nossas políticas, portanto, nenhuma ação será tomada neste momento”, diz a resposta do Twitter.

“Se você acredita que há uma possível violação de direitos autorais, inicie um novo relatório. Se o conteúdo estiver hospedado em um site de terceiros, você precisará entrar em contato com a equipe de suporte desse site para relatá-lo. Sua segurança é a coisa mais importante, e se você acredita que está em perigo, encorajamos você a entrar em contato com as autoridades locais”, informou a Big Tech.

Em sua resposta, publicada na denúncia, Doe pareceu chocado.

“O que você quer dizer com não vê um problema? Nós dois somos menores agora e éramos menores na época em que esses vídeos foram feitos. Nós dois tínhamos 13 anos. Fomos iscados, perseguidos e ameaçados de levar esses vídeos que agora estão sendo postados sem nossa permissão. Não autorizamos esses vídeos e eles precisam ser retirados”, escreveu o adolescente ao Twitter.

Ele até incluiu o número do seu caso de uma agência local de aplicação da lei, mas ainda assim o gigante da tecnologia supostamente o ignorou e se recusou a fazer qualquer coisa sobre o material ilegal de abuso sexual infantil – enquanto ele continuava a obter mais e mais visualizações.

Dois dias depois, a mãe de Doe foi contatada por um agente do Departamento de Segurança Interna, tendo,  somente assim, os vídeos removidos com sucesso.

O Twitter se recusou a comentar o caso quando contatado pelo jornal The Post.

Sobre o Colunista

Brehnno Galgane

Brehnno Galgane

Graduando em Filosofia pela PUC-Rio, Católico e cultivador de uma narrativa que tenha sentido segundo a forma humana.

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