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Witzel depõe à CPI, mas foge ao ser questionado sobre corrupção

Edilson Rodrigues/Agência Senado


O ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), prestou seu depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia no Senado Federal nessa quarta-feira (16).

Inicialmente ele foi convocado para responder sobre denúncias de um esquema de corrupção no início da pandemia do qual teria se beneficiado.

O processo de impeachment contra o político durou todo o ano passado e foi oficializado pelo Tribunal Especial Misto (TEM) no dia 30 de abril deste ano.

Witzel foi impedido de continuar no cargo por denúncias de recebimento de vantagens indevidas em contratações na área da saúde, no entanto, ele nega as acusações.

Em sua declaração aos senadores nesta terça-feira, o ex-governador defendeu suas ações contra a pandemia e aproveitou a oportunidade para criticar o governo federal. 

“Só não conseguimos evitar mais mortes porque não tivemos a coordenação do governo federal. A sucessão de ministros da Saúde dificultou. Deputados sabotaram os hospitais de campanha”, afirmou Witzel.

Em resposta ao relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL), o político impeachmado disse que o “aparelhamento” do Estado “contamina as instituições” e que isso auxiliou a preparação para o governo federal supostamente “jogar pesado contra governadores e prefeitos”.

Witzel ainda acusou o governo federal de ter se planejado para deixar os estados sem condições de comprar insumos e respiradores. Segundo ele, o intuito do Executivo foi se livrar das consequências da pandemia.

Ao contrário do que o governador impeachmado afirmou, em abril de 2020, o Supremo Tribunal Federal decidiu que os estados e municípios tinham autonomia para o gerenciamento das medidas durante a pandemia.

Apesar da decisão do Judiciário, o Poder Executivo destinou milhões de reais para o combate à doença em todo país. De acordo com o site oficial do governo, um total de R$ 420 bilhões foram enviados diretamente aos caixas dos governos estaduais até 15 de janeiro deste ano.

Entre outros assuntos pautados durante o depoimento do político, estiveram a discussão sobre o mandante do assassinato de Marielle Franco e as supostas perseguições políticas a Wilson Witzel, assuntos que não fazem parte do foco de investigação da CPI.

Em sua declaração aos senadores, o ex-governador do Rio de Janeiro, acusou a subprocuradora-geral da República, Lindôra Araújo de ser parcial nas investigações envolvendo repasses federais aos estados, pedindo ainda o afastamento da magistrada.

Subprocuradora Lindôra Araújo ordena que estados prestem contas sobre repasses federais.

Ao ser questionado pelo senador Eduardo Girão (Podemos-CE) sobre investigações de superfaturamento enquanto ele foi governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel fez uso do habeas corpus  concedido pelo ministro Kassio Nunes, do STF, e se retirou da comissão, encerrando, assim, a sessão.

Antes, o advogado de Witzel havia pedido a retirada de deputados da sala onde ocorreram os depoimentos à CPI. O presidente da comissão, Omar Aziz, no entanto, negou a questão de ordem da defesa. 

Os senadores Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI, e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente, sugeriram uma reunião secreta, mas o ex-governador, num primeiro momento, rejeitou a proposta. 

Posteriormente, o senador Randolfe afirmou que apresentaria um requerimento para depoimento em reservado de Wilson Witzel. 

De acordo com a assessoria do Senado Federal, Witzel afirmou que revelará “fato gravíssimo” na reunião sigilosa, que supostamente envolve a intervenção do governo federal.

O assunto foi comentado no Boletim da Noite dessa quarta-feira (17).

Ao comentar o depoimento de Witzel, o analista político Italo Lorenzon lembrou os gastos em jardinagem que o ex-governador teve com hospitais de campanha no Rio de Janeiro, o que não era da competência do governo federal.

Conforme o Terça Livre noticiou, o ex-governador foi alvo da Operação Placebo, da Polícia Federal, que investigava gastos com a construção de hospitais de campanha no Rio de Janeiro.

Lorenzon questionou ainda o tratamento recebido por Witzel por parte dos senadores de oposição.

“Dra Nise Yamaguchi, médica renomada, com currículo extenso, que há 40 anos trata pacientes com câncer, muitas vezes em estado terminal, foi tratada como criminosa na CPI. O ex-governador que perdeu o cargo porque roubou da Saúde é tratado com deferência”, pontuou o analista.

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